08 de julho de 2026
Geral

Bombeiros compram peças para "desencostar" 33 hidrantes

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Hidrantes encostados há anos, no depósito do DAE, devem ter destinação, após aquisição

Com média de 12 chamados de incêndios por dia, a rotina de atendimento do Corpo de Bombeiros de Bauru depende do fácil acesso à água. O déficit de 383 hidrantes na cidade, contudo, deixa a missão de salvamento, seja de imóveis ou áreas verdes, ainda mais difícil. Complicação que a corporação, por iniciativa própria, resolveu por fim e ajudar o DAE, responsável pela instalação, a comprar peças para desencostar os equipamentos.

Atualmente, 33 hidrantes estão parados em um depósito do DAE por falta de peças para adaptação nas tubulações dos bairros.

Um processo de licitação, orçado em R$ 35.800,00, da corporação está em andamento na prefeitura.

As roscas, parafusos especiais e adaptadores de metal estão entre os 14 tipos de peças pedidos, e que serão pagos com o dinheiro da taxa do Corpo de Bombeiros. 

Em falta...

Em 2014, a corporação utilizou R$ 7.720,00 para o mesmo fim. Na ocasião, dezenas de hidrantes também estavam encostadas e, após reunião com o DAE, o Corpo de Bombeiros decidiu ajudar.

“A rede de água de Bauru não possui um padrão de tubulação, então os hidrantes precisam ser adaptados. Antes, o DAE fazia isso, mas está com peças em falta”, aponta o tenente do Corpo de Bombeiros Victor Felix Tozi Bomfim.

Após a aquisição, parte do equipamento foi instalada entre o final de 2014 e início de 2015. A outra parte, contudo, continuou no depósito por falta de outros tipos de peças, segundo o DAE.

No mesmo ano, houve uma mudança na legislação municipal, que dispõem sobre a doação de hidrantes por proprietários de imóveis com mais de 3 mil metros quadrados. 
A lei passou a especificar as peças que deveriam ser doadas, além do hidrante, para possibilitar a adaptação nos bairros. 

Ainda assim, o DAE diz acumular hoje 33 equipamentos “entregues de acordo com as especificações da lei municipal 5986/2010”.

A autarquia garantiu que a demora nas instalações não está relacionada com falta mão de obra ou qualquer outro problema.

Enquanto isso...

O novo pedido das peças, que deve dar fim ao enrosco de meses e até anos, está em fase de elaboração de planilha de custo. Posteriormente, será encaminhado para a Secretaria Municipal de Finanças para reserva de verba. Só depois disso, ocorrerá elaboração do edital e realização da licitação. Ainda não há prazos.

Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros continua na difícil missão de atender a demanda de Bauru com três viaturas de 5 mil litros e uma carreta de 20 mil litros, comprada há alguns justamente por causa da falta de hidrantes.

“O problema é que, durante a seca, os incêndios aumentam e corremos o risco de não conseguir atender toda a demanda por ter que rodar mais para conseguir água”, comenta o tenente Tozi.

Um estudo elaborado pela corporação de acordo com a lei vigente aponta que Bauru deveria ter 550 hidrantes instalados.

“Os três Distritos Industriais e bairros, como Parque Jaraguá, Vale do Igapó e Jardim Tangarás são os que mais nos preocupam, porque há muito fogo em mato registrado nessas áreas”, pontua o bombeiro.

Por meio de nota, o DAE diz que os hidrantes são instalados apenas em tubulações com diâmetro acima 100 milímetros (4 polegadas). “O Distrito 1 possui adequação para receber os equipamentos, inclusive já existem hidrantes no local. O Distrito 2 e 3 ainda possuem redes com diâmetros de 2 polegadas. Está em andamento pelo DAE um projeto para redimensionar essas redes, tornando-as compatíveis para instalação dos equipamentos”, afirma a autarquia.

Parte dos bairros Jaraguá e Tangarás possui rede acima de 4 polegadas e há projeto para receber hidrantes. “Enquanto isso, o Manchester, que fica na região do Tangarás, e possui hidrantes supre a demanda”, finaliza o DAE.

Em manutenção

Além da demora na instalação dos hidrantes, há ainda outro problema, o de manutenção dos já instalados. O Corpo de Bombeiros diz que realiza vistoria dos 167 hidrantes aos domingos de manhã. No entanto, 30 equipamentos estão desativados por problemas. O DAE é o responsável pela manutenção.