A recessão econômica traz inúmeras consequências, mas sem dúvida alguma afeta mais fortemente os trabalhadores. Este “elo fraco” paga um preço elevado pela perda de emprego e consequentemente perda de renda. O Brasil enfrenta a recessão por dois anos seguidos. O ciclo é perverso: perda de emprego, queda na renda, uso de reservas financeiras (quando existem), contas começam a ficar atrasadas, busca de crédito em bancos, depois em financeiras, o desespero bate, busca de empréstimos com familiares, até que o nome é negativado e o crédito suspenso, enfim, nesta fase o cidadão se sente de segunda categoria.
Este aperto no bolso obriga a mudanças comportamentais e revisão do padrão de vida. O carro financiado se torna o pesadelo dos gastos. Algumas “facilidades” da vida moderna são revistas, tais como TV a cabo, celulares, entre outras. Ainda no campo comportamental, as pessoas do bem, ou seja, que sabem que um dos maiores patrimônios que possuem é bom nome na praça, começam a se desesperar, não raramente ficam com os nervos a flor da pele, e os desentendimentos com amigos e familiares passa a prevalecer.
Este quadro infelizmente tem sido mais frequente do que se imagina. O recomendável para quem atingiu este estágio ou está a caminho dele, é que pare para se planejar. Parece que esta recomendação somente fica na teoria, mas não há como sair do aperto financeiro sem que haja um planejamento consistente. É o tipo da tarefa que não se delega, no máximo, pode-se buscar ajuda.
Se a fontes de recursos estão escassas por conta do desemprego, isso não pode levar o cidadão à acomodação. O seguro desemprego segura as pontas por um período, mas de alguma maneira o dinheiro tem que entrar. A figura do Microempreendedor Individual pode ser um caminho. Quem possui habilidades técnicas deve explorá-las. Pode ser uma forma de estabelecer uma carreira solo.
As pendências financeiras devem ser equacionadas. Um primeiro passo é listar todas as dívidas, e apurar um valor mensal que sua renda consiga pagar. Em seguida procurar cada credor e fazer uma exposição clara de suas reais condições financeiras. Não aceite a primeira proposta e fixe no valor limite que consegue honrar seus compromissos. Errar a mão no equacionamento da dívida só adia o problema.
Por outro lado é fundamental equacionar os gastos. O que for supérfluo simplesmente corte. Busque produtos substitutos cujo valor de mercado é inferior as marcas que você está acostumado a comprar. Reúna a família e repasse cada compromisso financeiro assumido. Peça que todos façam um esforço para ter uma vida mais simples, e que todos saibam das metas fixadas e que a cumplicidade seja a tônica daqui para frente.
Trace um horizonte de curto, médio e longo prazos. A cada período de um mês avalie se está no caminho certo. Pensando lá frente, projete o que espera das finanças do lar no fim do ano, no meio do ano que vem, daqui 5 anos. Quem planeja, traça metas, saberá aonde quer chegar. Se o quadro econômico até agora prejudicou em muito o trabalhador e o levou ao quadro traçado aqui (igual ou pouco mais ou um pouco menos) o alento é que alguns indicadores da economia já indicam um 2017 em recuperação e isso pode ser um facilitador da efetiva melhoria das finanças do lar. Até lá cada um deve ser extremamente determinado e trabalhar para que os problemas atuais não piorem ainda mais. Proatividade, assumir o controle financeiro, mudança de atitude, saber lidar com o emocional, são palavras e expressões que devem nortear seu dia a dia. Em tempos bicudos, de aperto financeiro, é preciso fazer muito mais.
O autor é economista e articulista do JC