A expressão “é a crise” está na moda. Todos, ou melhor, quase todos dizem que a culpa é da crise. É fato que nosso país está vivendo uma grande crise. Há crises por todos os lados, mas a crise financeira incomoda a todos. Além do incômodo da falta de crédito, a crise tem ceifado o emprego de muitas pessoas e tem promovido desajustes em muitas famílias. A família que já sofre tantos ataques, agora também que lidar com a crise financeira por conta de menos recurso disponível. Algumas famílias estão passando necessidades básicas por conta da falta do dinheiro, da segurança do emprego e da alta dos preços dos produtos básicos.
A crise financeira brasileira está promovendo desconfortos na população. Como sempre, o povo, a grande massa, é quem paga a conta da desorganização política, para não falar do ralo da corrupção que consome muitos milhões de reais. A crise foi deflagrada, ou anuncia agora, mas a alguns anos nosso país não estava crescendo. A economia já sinalizava um colapso iminente, mas o crédito para financiamento mascara a real situação. E quando a crise emergiu, ela já se instaurou e agora tudo é culpa da crise.
A recessão, a falta de investimentos, o aumento dos produtos básicos, o aumento das contas básicas da população, fizeram com que os juros ressurgissem em nosso país. A crise já está aí. A saúde pública tem recebido verbas irrisórias diante das demandas sociais. A segurança pública agoniza com pouco efetivo e com profissionais desmotivados por salários ruins. As prefeituras e estados, assim como o Governo Federal estão adotando medidas de contenção de despesas. As lojas já sentem a recessão e a falta de compra.
O povo que estava animado com as compras de todas as espécies já não desfruta do mesmo “poder” de compra. A tão sonhada possibilidade de consumo do padrão classe média passou como uma sombra e deixou o estrago. Os carnês dos financiamentos que a maioria das pessoas da classe C e D estão em suas mãos. A busca do padrão classe média levou as pessoas da classe C e D se lançaram nas aventuras da compra do pacote classe média. Agora se veem endividados e sem fôlego financeiro para bancar e sustentar o padrão classe média.
É triste saber e ver que a ascensão da classe média que outrora era classificada como pobre, e as estatísticas do grande número de pessoas que saíram da miséria, na realidade maquiaram um cenário de crise econômica, que estamos vivenciando hoje. É triste ver nosso país com um enorme potencial passando por essa crise sem igual. Nem tivemos o “gosto” de ver os brasileiros ascendendo e saindo da miséria histórica e já nos deparamos com a crise e recessão. O grande problema não é apenas o menor poder de comprar, as viagens adiadas e produtos não consumidos, mas também as pessoas que vivem nos bolsões de miséria.
Essa crise pela qual estamos passando deve nos alertar sobre corrupção e sobre o poder do voto, e também sonharmos e lutarmos por uma pátria melhor para as próximas gerações. Devemos lutar e não nos rendermos à corrupção endêmica instalada nas engrenagens políticas. Devemos continuar crendo e batalhando não para sermos padrão “classe média”, que dura pouco tempo, mas por uma sociedade mais igualitária e justa. A crise denuncia muitas injustiças. Não podemos apenas ficar dizendo que “é a crise”, pelo contrário, o que iremos aprender com essa crise? Esperamos que a crise vá embora logo e leve junto a corrupção e a desesperança de nosso povo.