| Malavolta Jr. |
| Zildene Pedrosa, meteorologista do IPMet, fala sobre a cobertura dos radares do órgão |
Não é todo mundo que sabe, mas o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) atesta se as condições do tempo contribuíram para algumas ocorrências - como danos em veículos, casas, eletrodomésticos, plantações, criações, entre outras - dia sim, dia não. Do início do ano até agora, a instituição recebeu 126 solicitações de laudos meteorológicos, o que resulta em uma média de 18 pedidos por mês.
É o que revela a meteorologista e responsável pela gerência dos laudos do IPMet, Zildene Pedrosa de Oliveira Emídio. Segundo ela, em 2015 inteiro, o órgão recebeu 215 pedidos de laudos, o que também resulta em uma média de 18 ao mês. Zildene reforça, ainda, que o serviço sempre existiu, mas não é todo mundo que o conhece, por isso, o IPMet não recebe aquela “enxurrada” de pedidos diariamente.
Ainda segundo a meteorologista, a maioria das solicitações de laudos meteorológicos parte de pessoas físicas que desejam o ressarcimento de danos junto às seguradoras. “Uma chuva forte que destelha casas, quebra eletrodomésticos ou provoca um acidente de trânsito”, exemplifica. Outros pedidos partem de pessoas jurídicas. “Quando um produtor rural perde o que plantou por causa de uma geada e busca ressarcimento, ele nos procura”, acrescenta.
Por conta da maior demanda em casos de ressarcimento de danos, a maioria dos pedidos é feita em épocas chuvosas, ou seja, entre os meses de outubro e março. “Nesses períodos, os sinistros aumentam, mas não só por causa da chuva propriamente dita. Normalmente, ela vem acompanhada por ventos fortes e descargas elétricas, fatores que também provocam danos”, argumenta.
Passo a passo
Zildene explica que as solicitações são feitas pelo site da instituição, o https://www.ipmet.unesp.br. Lá, o usuário preenche uma ficha com diversas informações, tais como a data e o horário da ocorrência, bem como a finalidade do laudo. O documento está disponível no canto direito da página inicial, com o nome “laudos meteorológicos”.
Em seguida, a equipe do IPMet consulta dados dos radares de Bauru e Presidente Prudente, sendo que cada um deles possui uma abrangência de 450 quilômetros. Juntos, os dois cobrem quase todo o Estado de São Paulo e do Paraná, além do sul de Minas Gerais e do leste e sudeste do Mato Grosso do Sul.
Segundo Zildene, todos os laudos têm de ser assinados por um meteorologista com registro junto ao Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura (Crea). “Só enviamos os documentos depois que recebemos o pagamento”, pontua.
Cada laudo leva sete dias úteis para ficar pronto e custa dez Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesps), o que, neste ano, equivale a R$ 235,50. Contudo, o serviço não é cobrado quando a solicitação é feita pela Justiça, pelas unidades da Unesp ou para fins de pesquisa.
Transparência
Em janeiro deste ano, uma empresa pública consultada pela reportagem, que preferiu não ser identificada, solicitou um laudo meteorológico ao IPMet. Na ocasião, as fortes chuvas levaram ao entupimento de calhas do prédio. O documento foi usado para justificar a necessidade de contratar um serviço que resolvesse o problema.
Até homicídio
O IPMet já atestou até laudo para caso de homicídio. “Certa vez, uma pessoa foi apontada como autora de um assassinato, mas a defesa alegou que as condições do tempo, na época, não permitiriam que ela fosse reconhecida, porque estava escuro. Então, a Justiça solicitou o laudo, que apontou qual era a condição meteorológica no dia do crime”, narra Zildene Pedrosa.