11 de julho de 2026
Cultura

Hoje, no Dia do Vizinho, um poema de Cora Coralina


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Hoje, 20 de agosto, é comemorado o Dia do Vizinho, em homenagem ao dia de nascimento da poetisa Cora Coralina.

Arquivo
Cora Coralina gostava de celebrar os vizinhos

A data é sempre lembrada em Bauru porque a nora de Coralina, Nize Garcia Bretas, morou na cidade por muitos anos e participou da organização de festas do vizinho, no Jardim Higienópolis. Em 2006, ela mudou-se para a cidade de Balneário Camboriú (SC).

Em alguns Estados e regiões,  o Dia do Vizinho é comemorado em em 23 de agosto ou 23 de dezembro, na antevéspera do Natal. 

História

O Dia do Vizinho foi criado há mais de 30 anos em homenagem à poetisa Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, a Cora Coralina, na cidade de Goiás (GO).

A ideia surgiu devido ao apreço que a escritora tinha pelos vizinhos. Após eles insistirem em festejar o seu aniversário, também comemorado hoje, Coralina teria pedido que, em vez de uma festa para ela, celebrassem os vizinhos.

A poetisa começou a escrever aos 14 anos e fez dezenas de livros. Destacam “Estórias da Casa Velha da Ponte”, “Meu Livro de Cordel”, e o livro infantil “Meninos Verdes”. A autora morreu em Goiás, em 10 de abril de 1985, aos 96 anos. Para relembrar a poetisa, abaixo um de seus mais conhecidos poemas.

O cântico da Terra (Cora Coralina)

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.