11 de junho de 2026
Tribuna do Leitor

A grande esperança

Maurílio Fábio de Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Viajando no tempo através da música sertaneja raiz, até o ano de 1965, vamos relembrar um grande sucesso dos compositores Goiá e Francisco Lázaro. Essa música fala da situação do Brasil naquela época, portanto, fazendo uma comparação com a situação atual, parece que foi escrita e gravada recentemente.

Segundo o radialista e historiador de música sertaneja raiz, Tião Camargo, se não fosse a censura daquela época essa música teria o título de “Reforma Agrária”. Portanto, censurada no Brasil, foi gravada pela primeira vez originalmente em Portugal, pela dupla Zilo e Zalo, sendo posteriormente gravada no Brasil pela mesma dupla com algumas alterações com o título mudado para “A Grande Esperança”.

Prezados leitores, atenção à letra abaixo:


“A classe roceira e a classe operária

Ansiosa espera a reforma agrária

Sabendo que ela dará solução

Para a situação que está precária

Saindo o projeto no chão brasileiro

De cada roceiro plantar sua área

Sei que na miséria ninguém viveria

E a produção já aumentaria

Quinhentos por cento até na pecuária

Esta grande crise que há tempo surgiu

Maltrata o caboclo ferindo em seu brio. Dentro de um país rico e altaneiro

Morrem brasileiro de fome e de frio.

Em nossas cidades ricas em imóveis

Milhares de automóveis já se produziu

Enquanto o coitado do pobre operário

Vive apertado ganhando salário

Que sobe depois que tudo subiu

Nosso lavrador que vive do chão

Só tem a metade da sua produção

Porque a semente que ele semeia

Tem que ser a meia com o seu patrão


O nosso roceiro vive num dilema

E o seu problema não tem solução

Porque o ricaço que vive folgado

Acha que o projeto se for assinado

Estará ferindo a Constituição

Mas grande esperança o povo conduz

Pedir a Jesus pela oração

Para guiar o pobre por onde ele trilha

E para a família não faltar o pão

Que eles não deixem o capitalismo

Levar ao abismo a nossa Nação

A desigualdade que existe é tamanha

Enquanto o ricaço não sabe o que

ganha o pobre do pobre vive de

tostão...” Fim

Nesse meio século de política, o próprio ditado diz: “Só mudam as moscas, o monte de m. é sempre o mesmo”. Não seria uma das soluções para a crise, muita gente fazer o caminho de volta para roça? Evidentemente que na vida nada cai do céu, tudo é com muita luta e dedicação. Porém, vocês, grandes empresários, fazendeiros, juízes e outros bem-sucedidos, nunca esqueçam que foi Deus que lhe deu um dom, que logicamente soube aproveitar. Muitos nascem sem esse dom, muitos são acomodados. Mas, enfim, a sociedade precisa de todos e todos são filhos e obras de Deus, que no final julgará a todos.