Bahia querida!
Bahia ferida,
Debaixo de sol inclemente,
forte e ardente,
queima a pele da gente.
E o gado branco ao relento,
Sedento de água e alimento,
morre de esgotamento,
tombado no solo quente.
Nos estertores da morte
e sem força de movimento,
com olhos parados pede socorro
em terra sem verde e sem poço.
O povo assiste ao drama,
a agonia dos animais, em osso,
estendidos no chão do mangueirão.
Os cochos vazios estão sem ração
e o gado exausto está sem ação.
A paisagem é triste, desalentadora,
só a chuva, serena e oportuna,
será redentora, nesta história final
do mundo humano e animal,
à espera de gotas redentoras,
salvadoras,
da chuva fina, necessária, regada
a cair, na hora azada,
a molhar o espaço do vaqueiro
que, forte, não se entrega
diante de dura refrega
posta pela trama funesta.