08 de julho de 2026
Articulistas

Assaltos e assaltos

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Rio. Alguém grita: “Assaltaram a mulher!”. Olho, mas nada vejo. Outro arrisca: “Parece que levaram a bolsa”. E fica nisso. O quiprocó na saída da barca foi o mais perto que cheguei de um assalto por lá. E sei não se não foi em Niterói! Faz tempo: 1991. De lá em diante, apesar da insistência, nada de crime presencial.


O ano foi 1991. Mas vou ao Rio desde 1990. Deveria pedir indenização do governo: onde já se viu turista, paulista, boboca, que vai todo ano, nunca ser roubado. O que os cariocas têm contra a minha pessoa?


Nem um assaltozinho para chamar de meu na Lapa às 3 da manhã; em Santa Teresa nas perigosíssimas tardes/noites de subidas e descidas; no Arpoador, cadê o arrastão? Nunca vi, nunca testemunhei. Talvez uma confusão básica na Feira de São Cristóvão. Que tal? Nada.


É lógico que o Rio é violento. Não sou tão ingênuo assim. Um dia, um taxista resumiu: “Aqui é onde você vai que importa. Se marcar, malandro pega”. Pois, é: mas comigo não pegou. Nem com a Lu, aqui de casa, que visita a cidade desde os anos 80.


Urca? Maior perigo, mas de se apaixonar. Ipanema, Copacabana: um ou outro tipo amalucado perambula, mas abordagem é zero. Levem minha carteira, meu celular: sou turista, mereço o pior. Quem sabe no Aterro do Flamengo, em Botafogo... Já sei: Centro. Fui, e fui de novo, mas só encontrei carne de sol e cerveja.  


Eis que os nadadores americanos resolvem se apoiar no lugar comum de que tudo no Brasil é zona e crime para se safar numa farsa olímpica. Inventam um assalto: vai colar, claro! Um a mais, um a menos, nem vão perceber a tramoia. Errado, gringo.


A farsa foi descoberta pelo “Brasil incompetente”, pela “polícia corrupta”. Não teve brasileiro carioca cometendo abuso contra os caras, nem ameaçando ou xingando, nem apontando arma para a cabeça.


O Rio, além de lindo, é violento. É. Mas a coisa precisa acontecer para existir. Além do mais, nem sempre a mentira e o delito somos nós, os selvagens, que cometemos. Nesse episódio, pelo menos, gringos fanfarrões não nadaram de braçada.


O autor é editor executivo do JC