08 de julho de 2026
Articulistas

Achados perdidos

Alexandre Benegas
| Tempo de leitura: 2 min

Medo e admiração. Garras de 76 cm. Pegadas com 1,5m de diâmetro. Dentes de até 30 cm. Faro olfativo capaz de localizar a vítima a 16km. Altura de 30m, com peso médio de 15 toneladas.Caudas varáveis a 14m. Braços com 2,6 m de comprimento. Motivo de pesquisa para cientistas e admiradores. Sucesso de bilheteria em exposições e em museus. Fomenta mundialmente o geoturismo. Apesar de datar milhões de anos, protagoniza aventuras em filmes e em desenhos. Conhecido como lagarto terrível, eis o dinossauro.


Resistido à impactante força dos asteroides, intrigante espécie brasileira chamou atenção da paleontologia. Pudera! Passos largos suficientes para deixarem a direita e a esquerda surpreendidas. Patas capazes de darem pedaladas com suspeita velocidade. Comprimento à altura de um triplex. Dentes receptivos a qualquer higienização lava a jato. Braços  para carregar cabides de emprego. Cérebro do tamanho de uma noz, com capacidade sugestiva para estocar vento e saudar a mandioca. Mãos hospitaleiras à recepção do caixa dois.Visão com astigmatismo da direita e miopia da esquerda. Asas para voarem alto, longe. Asas para quem, casualmente, constrói com altitude atitude aeroporto no sítio do tio.


Em Brasília, maioria habita religiosamente. Religiosidade capaz de levar um terço no que aprovam no vale. Um, em especial, marca o vale de Minas. O outro, o vale de Atibaia. E nesses vales de vale tudo, quanto vale, afinal, a verdade? Conhecidos como corruptossauros, reelegem-se às custas de um povo despolitizado, por uma costumeira combinação. Bolso cheio. Barriga satisfeita. Coração agradecido. Cabeça recompensando o governante da ocasião.


É o voto condicionado às necessidades economicamente imediatas. Resultado? Povo sem memória, incapaz de assim fazer história. Apesar de tudo isso, inquietante voz grita para mim: “É golpe. É golpe!” Mas, convenhamos, ouvir vozes seria loucura!? De repente, o sinal para o intervalo toca, cortando minha reflexão. Ano de 2516. Aula de geografia. Página holográfica 171. Mais que um valioso acervo cultural, Brasília é, hoje, fonte de preservação do patrimônio nacional. Perdido na memória, um achado arqueológico para a história.


O autor é professor de redação de colégios e universidade e colaborador cultural do JC