11 de julho de 2026
Nacional

Janot vê 'estelionato' e 'cortina de fumaça' em delação

Por Fabio Serapião, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso | AE
| Tempo de leitura: 2 min

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, saiu em defesa da Lava Jato, negou a existência de qualquer citação ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, nos anexos da proposta de delação da empreiteira baiana OAS e classificou como "cortina de fumaça" o debate em torno de um suposto vazamento.

No entendimento do procurador-geral, responsável por todos inquéritos envolvendo políticos na Lava Jato, as informações divulgadas no fim de semana são "quase estelionato delacional" cujo objetivo seria forçar o Ministério Público a aceitar a proposta de delação.

"Trata-se de um quase estelionato delacional em que inventa-se um fato, divulga-se o fato para que haja pressão ao órgão do Ministério Público para aceitar desta ou daquela maneira eventual acordo de colaboração", afirmou Janot durante sessão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Aparentemente descontente com as acusações, mas sem citar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Janot questionou "a quem" e "por quê" a Lava Jato está incomodando tanto. "A Lava Jato, hoje, está incomodando tanto e a quem e por quê?"

Para o procurador-geral, a repercussão e os desdobramentos da publicação que levanta suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, do STF, surgem em um cenário parecido com o da Itália à época da operação Mãos Limpas, quando a classe política, após ser duramente atingida pelo escândalo de corrupção, passou a atacar os investigadores.

Bastidores

Embora investigadores evitem o confronto aberto com o ministro Gilmar Mendes, a reportagem apurou que nos bastidores suas declarações são vistas como uma posição daqueles que entendem que a Lava Jato já chegou ao seu limite. Pessoas com acesso às investigações ouvidas pela reportagem, fizeram questão de lembrar que o próprio ministro elogiava os procuradores quando o alvo era os petistas e o governo Dilma Rousseff.

Na avaliação de profissionais que acompanhavam as negociações do acordo com a OAS, encerradas ontem pela PGR. Com potencial de atingir políticos do PMDB, PT e PSDB, a delação do ex-presidente da empreiteira José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, se arrastava desde o começo do ano, mas avançaram há duas semanas com a assinatura do termo de confidencialidade. O documento abre a fase em que a defesa do delator apresenta aos procuradores os temas a serem abordados.

Juntamente com a delação da Odebrecht, também em negociação, os dois acordos das maiores empreiteiras alvo da Lava Jato são vistas com potencial para aprofundar a crise política no País.