09 de julho de 2026
Articulistas

A volta do crescimento econômico

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Projeções do mercado apontam para recuperação econômica em 2017. O último boletim Focus, que retrata as expectativas dos principais economistas que operam o mercado brasileiro, aponta para um crescimento de 1,2% (mediana). Mesmo com este apontamento há consenso que a recuperação será lenta, ou seja, não haverá, e não poderia ser diferente, uma virada de chave no fim do ano e em seguida o País volta a crescer. Há um longo caminho pela frente.


Os dois grandes momentos da política brasileira finalmente tem prazo de validade: até meados de setembro tudo indica que a saída ou não da Presidente afastada Dilma Rousseff será defina e em seguida a votação da saída do ex-presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. O indicativo é que ambos perderão o mandato, abrindo espaço para o País avançar nas questões estruturantes.


O ajuste fiscal é imperativo e nesta linha o travamento dos gastos públicos é um caminho. De um lado será objeto de discussão o limite de reajuste dos gastos públicos anual, limitada a inflação passada e de outro como equacionar o déficit da Previdência Social. Estes dois temas já são dose para leão. No bojo disso tudo será necessário discutir a reforma administrativa, tributária, trabalhista entre outras. Certamente não haverá tempo até o fim do ano para que tudo seja analisado, mas saindo o ajuste fiscal, já é um bom começo.


Desta maneira, um primeiro e importante passo para tirar os agentes econômicos da defensiva é o resgate da confiança e isso virá com ações certeiras, que eu pessoalmente espero que a equipe de Meirelles consiga colocar em prática. Mas isso é pouco para resgatar o otimismo. O Consumo das famílias, que é uma importante variável para auxiliar na retomada do crescimento, não crescerá na magnitude necessária.

Os dois vetores do Consumo são renda e crédito. Com o desemprego nas alturas e tendo a prática da maior taxa de juros real do planeta, não é possível esperar que esta variável seja aquela a dar o tom da retomada da economia. Isso sem falar no elevado endividamento das famílias. O alento por este caminho é que o ajuste fiscal pode ajudar no controle da inflação, e este controle permitirá a redução dos juros. Lentidão à vista.


Outra variável que terá uma lenta recuperação é a variável Investimento. Aqui são duas importantes frentes: os investimentos públicos e os privados. Sem recursos, as estatais, como por exemplo a Petrobras, deixaram de dar o tom dos investimentos públicos. Já no setor privado as margens de lucro ficaram apertadas e não ocorreram excedentes para canalizá-los para fomento dos negócios. Conclusão: o resgate da confiança ajuda, mas não na velocidade necessária para impor forte recuperação. Isso sem falar que há capacidade ociosa nas empresas e as mesmas devem ser primeiramente eliminadas, antes de novos aportes financeiros.


Outra variável que auxilia na demanda agregada, portanto, no crescimento da economia, são os gastos do governo. Estes precisam ser contidos, desta maneira há pouco a esperar por esta frente. O setor externo deverá continuar a ajudar no crescimento. Mesma com lenta recuperação do resto do mundo e eventual enfraquecimento da China, o Brasil pode tirar proveito das exportações e com isso movimentar o mercado interno. Mesmo com a valorização recente do Real, as importações não devem interferir no saldo positivo da balança comercial.


Nesta rápida passagem pelas principais variáveis que permitem apontar crescimento na economia, é o possível concluir que a recuperação virá, tanto pela própria inércia (não é possível queda infinita) como por algumas vias importantes, mas fica evidenciado que a recuperação será lenta e em evolução ao longo do próximo ano.


Muito provavelmente teremos ainda um fim de ano desafiador, um primeiro trimestre de 2017 oscilando, para a coisa engrenar a partir do segundo trimestre. Se não é o melhor cenário do mundo, ao menos iniciaremos novo ciclo econômico no País.


O autor é economista e articulista do JC