| Arquivo Pessoal |
| Fabíola Vanni fez o registro da praia de Pescara, cuja areia ficou ondulada após o terremoto |
"Os piores segundos da minha vida." A frase foi dita por uma bauruense e sintetiza bem o drama de outros conterrâneos que moram ou estão em viagem pela Itália, após o terremoto que assolou parte do País, às 3h36 madrugada dessa quarta-feira (24) - às 22h36 da última terça-feira, dia 23, em Brasília. O fenômeno natural, que alcançou magnitude de 6,2 graus na Escala Richter, teve seu epicentro registrado na região de Rieti, no Centro do País, e provocou mortes e devastou cidades, entre elas a de Amatrice.
A reportagem conversou com bauruenses que estavam em cidades próximas e também sentiram os tremores. Entre os relatos, está o de uma família que mora em Pescara, a 178 quilômetros de Rieti. Lá, um padre teria morrido de infarto ao assustar-se com a intensidade dos tremores. Outra jovem, que está em Perúgia (130 quilômetros do epicentro) realizando trabalhos voluntários, conta que acordou assustada com o terremoto em pleno dia de seu aniversário. Em sua página no Facebook, ela contou os momentos de tensão (leia o relato na íntegra no quadro acima).
Em viagem de férias, outro empresário bauruense também relatou o que sentiu em Florença, a 262 quilômetros do epicentro.
Praia ondulada
Uma das cenas que mais impressionou a família da bauruense Fabíola Aparecida do Nascimento Vanni, 36 anos, foi a da praia de Pescara, cuja areia ficou ondulada como as ondas do mar.
“Meu marido e eu estávamos deitados na cama com nosso filho conversando quando tudo começou a balançar de um lado para o outro. Foram os piores segundos da minha vida. Eu não sabia o que fazer, deu vontade de sair correndo com meu filho para o meio da rua, longe de prédios e árvores”, comenta Fabíola, que mora há 8 anos na Itália, após se casar com Frederico Vanni, também de 36 anos. Filho do casal, Francesco Vanni tem apenas dois meses.
Apesar do trauma, ela diz que esse já é o segundo terremoto que ela presencia no País. “O primeiro foi em 2009, mas, dessa vez, fiquei com mais medo. A sorte é que a areia da praia amortece um pouco o impacto dos terremotos aqui. Pelo menos é o que dizem”, acrescenta.
Em Choque
Trauma e susto compartilhados pela psicóloga bauruense Mariana Rangel Ferreira, que completou 26 anos bem no dia do terremoto. Em viagem ao redor do mundo há quase um ano com o namorado Rodrigo Valentim Trevisan, 26 anos, ela chegou na Itália há dois meses, depois de viajar por outros 21 países.
“Todos estavam dormindo. Como nunca tínhamos presenciado um terremoto antes, ficamos em choque. Mas o dono do hotel, para o qual prestamos serviços voluntários, nos acalmou e disse que ali não corríamos perigo”, comenta Mariana.
“As construções aqui são antigas. A casa que estamos tem cerca de 500 anos, é de pedra e tem paredes bem grossas. O dono diz ser bem resistente”, completa.
Dez minutos depois, outro susto. Um novo tremor foi sentido, mas com menos de intensidade.
‘Parte da vida’
No hotel em que o empresário bauruense José Hermínio Canella, 59 anos, estava hospedado, em Florença, uma recepcionista lamentava a morte da mãe de um amigo em decorrência da tragédia.
“Apesar disso, notei que os italianos procuram não ficar comentando tudo com os turistas. Na verdade, parece que terremoto é algo que já faz parte da vida deles, não nessa escala, mas parece ser comum por aqui”, comenta José, que está em viagem de férias com a esposa Jussara Canella, 57 anos, os filhos Daniel Canella, 27 anos, e Thomaz Canella, 22 anos, e a cunhada, Irecê Nabuco, 55 anos.
“Deu medo sim, mas decidimos não mudar o roteiro por causa disso. Daqui a dois dias, estaremos em Roma”, finaliza o empresário.