| Quioshi Goto/JC Imagens |
| Apaixonado por tênis, Salim Achôa colecionava troféus e medalhas |
Salim Achôa dedicou praticante a vida toda ao tênis. Começou a jogar com apenas 14 anos de idade e só parou 72 anos depois, quando a labirintite passou a ser seu maior “rival” em quadra. Personalidade histórica do Bauru Tênis Clube (BTC), o esportista colecionava troféus e medalhas na estante de casa: resultado de torneios locais e regionais.
Neste domingo à tarde, porém, Salim fez seu “último saque”. Ele foi vítima de um AVC que se agravou. Após uma semana internado na UTI do Hospital da Unimed, Salim, que sempre viveu em função do esporte, da família e dos amigos, morreu aos 91 anos.
“Ele era um bom vivant. Muito acessível às pessoas e enxergava todo mundo com bondade. Um ser humano alegre e carinhoso. Vai deixar um legado de carinho e amor”, afirma, emocionada, a esposa Graciema Achôa, 79 anos. Além dela, Salim deixa os filhos Arthur e Karina, e os netos Michel e Laura.
Filho único, Salim morava em São Paulo. Aos 14 anos, mudou-se com a família para Bauru, onde descobriu, mais especificamente no BTC, a paixão pelo tênis. Sua dedicação era tanta que o clube realizou quatro edições de campeonatos que levaram o nome de Salim: uma forma de homenageá-lo.
| Douglas Reis |
| José Benedito conta que, além do tênis, Salim era muito bom na sinuca: ‘Era difícil ganhar dele’ |
| Jornalista e também tenista veterano, Cesar Savi lembra que Salim era o “rei do desafio” |
Economista de formação, Achôa trabalhou a vida toda como representante de vendas e só se aposentou aos 77 anos, quando pôde dedicar mais tempo à prática do esporte, sua verdadeira paixão. Em outubro de 2007, Salim foi, inclusive, personagem de uma matéria do JC sobre os “superidosos” de Bauru. “Já ganhei muitos troféus, mas nunca fui um craque.
Não tive professor e aprendi o que sei sozinho”, destacou Achôa, na ocasião, complementando que ficava 40 minutos seguidos batendo bola para desenvolver o físico e “cachola”, como ele mesmo dizia.
‘Rei do desafio’
“Salim é histórico em termos de BTC. Descobri que ele se tornou sócio do clube em 12 de dezembro de 1947. Além disso, era o ‘rei do desafio’ em quadra. Quando jogávamos, sempre provocava os adversários com situações desafiadoras”, lembra o jornalista e também tenista veterano Cesar Savi, amigo há 50 anos de Salim.
Outro conhecido de longa data, João Rodrigues da Silva, 80 anos, fala de Achôa com alegria. “Descontraído e brincalhão. Todos se sentiam à vontade ao seu lado”, define.
Sinuca
A esposa Graciema revela que Salim também era apaixonado por sinuca. O amigo José Benedito Alves de Souza, 56 anos, confirma: “Ele jogava muito bem. Sempre estratégico, inteligente e calmo durante as jogadas. Era difícil ganhar dele”, recorda-se, em tom nostálgico.
O corpo de Salim Achôa foi sepultado ontem, às 15h, no Cemitério da Saudade, em Bauru.