10 de julho de 2026
Política

TV perde força na corrida eleitoral e campanhas priorizam "olho no olho"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Agentes políticos ligados a equipes de diversos prefeitáveis de Bauru estão abismados com a baixa repercussão dos primeiros dias de propaganda na TV. A avaliação é de que a pequena duração dos programas não permite que os candidatos “fisguem” a atenção do eleitorado.

    
Por isso, já apostam que “joia da coroa” das campanhas de outrora, a televisão não desempenhará papel tão relevante no pleito deste ano e pode ser engolida pelo “olho no olho”, especialmente com reuniões de bairros, em casas de apoiadores e lideranças comunitárias.

Não à toa, Gazzetta (PSD), Henrique Almirates (PRB), Renato Purini (PMDB) e Raul (PV), como nos últimos dias, cumprem agendas desta natureza hoje. O último, aliás, participa de três encontros com moradores. Na maioria das vezes, essas reuniões são agendadas por candidatos à vereança que convidam seus respectivos postulantes ao Palácio das Cerejeiras e não mobilizam mais do que 30 pessoas.

A estratégia é motivada ainda pela timidez na propaganda visual desta campanha, na qual estão proibidos outdoors e cavaletes nas vias públicas, por exemplo.

Redução

Voltando à televisão, em 2012 os candidatos à prefeitura apareciam três vezes por semana, em dois blocos diários com duração de 30 minutos. Agora, apesar de irem ao ar de segunda a sábado, os blocos têm duração só de 10 minutos. “Quando o cidadão percebe que a propaganda está passando e senta para assistir, ela já acabou”, reclama o interlocutor de uma das campanhas majoritárias.

Para se ter uma ideia da discrepância no tempo dos programas, Rodrigo Agostinho (PMDB), com o apoio de 15 partidos no último pleito municipal, contava com 16 minutos e 53 segundos em cada bloco de campanha na TV. Dessa vez, Gazzetta foi quem abocanhou a maior fatia de tempo: 3 minutos e 18 segundos.

O menos favorecido de 2012, Paulo Martins (PSTU), tinha 2 minutos e 30 segundos. Hoje, Osmar Brito (PCO) tem 10 segundos.

Redes sem retorno

Grande promessa para a campanha deste ano, ao menos publicamente, as redes sociais também não têm garantido retornos expressivos aos candidatos.

As postagens dos principais concorrentes à Prefeitura de Bauru no Facebook, por exemplo, recebem pouquíssimas curtidas: a média gira em torno de 20 a 30. Também não é relevante a repercussão dos vídeos exibidos na TV que são postados nas páginas dos candidatos.

Desencanto e novo comportamento

Neide Carlos/JC Imagens
Para a jornalista Cleide Portes, desencanto com cenário político nacional afasta população do processo eleitoral

Especialista em Rádio e TV, a jornalista Cleide Portes discorda de parte da classe política e não atribuiu a baixa repercussão da campanha na televisão à redução do tempo dos blocos de propaganda política.

“Não acredito que isso interfira na assimilação. Se a população demonstrasse interesse, buscaria outras fontes para se inteirar. A Internet está à disposição de muita gente”, pontua. Para ela, o distanciamento do eleitorado da telinha é motivado, sobretudo, pelo descrédito frente o cenário político nacional. “A gente percebe isso conversando com as pessoas. Estão até gostando da diminuição do tempo de propaganda na TV. Todas essas denúncias, a operação Lava Jato e o processo de cassação da presidenta [Dilma Rousseff] desestimulam e chegam a causar aversão”, pontua.

Cleide observa ainda na mudança do comportamento da sociedade, que dedica menos tempo à TV aberta, em função do maior acesso aos canais por assinatura, da programação por demanda e da Internet nos smartphones. “As pessoas, agora, têm outras opções de divertimento”.