09 de julho de 2026
Geral

Bauru chega a 369.368 habitantes em nova estimativa oficial do IBGE

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/JC Imagens
2.376 são os moradores a mais, segundo o instituto; para prefeito, população passa de 400 mil

Estimativa divulgada nessa terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstrou que o índice de crescimento populacional de Bauru ficou abaixo da média nacional e de outros municípios paulistas de porte semelhante. Em 12 meses, a cidade ganhou 2.376 novos habitantes, totalizando 369.368 moradores no dia de 1º de julho.

O aumento, de apenas 0,65% em relação ao ano anterior, foi menor do que a taxa de crescimento nacional, de 0,80%. O percentual registrado por Bauru também foi inferior ao de cidades de mesmo porte como Franca e Piracicaba (0,76%), Rio Preto (0,93%) e Jundiaí (0,96%), e de municípios vizinhos como Botucatu (1,11%) e Jaú (1,08%).

Para o economista Reinaldo Cafeo, os números refletem a ausência de planejamento para o desenvolvimento no longo prazo, o que inibe a permanência e vinda de novos moradores. “De um lado, temos bons indicadores sociais, mas esta falta de visão faz com que as pessoas, de maneira geral, não se fixem por um longo período, sejam elas nascidas aqui ou estudantes que vieram cursar faculdade. Quem tiver uma qualificação mais elevada acaba indo embora” , pontua.

O economista diz, ainda, que a dificuldade em reter este tipo de mão de obra decorre da falta de segurança, atrativos e facilidades para que um número maior de empresas se instalem em Bauru. Entre os obstáculos, cita legislações ambientais, dizendo que contribuem para “travar” o progresso, “expulsando”, assim, investidores para localidades vizinhas.

“Dos anos 2000 para cá, as cidades que apostaram em um projeto mais arrojado, com união entre as forças políticas e a iniciativa privada, encontraram um caminho de desenvolvimento bastante interessante”, considera, destacando, como exemplo, a cidade de São José do Rio Preto.

Segundo dados do IBGE, em 20 anos, a população daquele município cresceu 33,6%, ante ao índice de 22,9% em Bauru. A “Cidade sem Limites”, ainda de acordo com o instituto, vem registrando praticamente a mesma taxa de aumento populacional nos últimos anos.

Rodrigo questiona

Em 2014, o índice foi de 0,69% e, em 2015, de 0,66%, quando a população chegou a 366.992 habitantes. Ainda conforme o levantamento, diferentemente de Bauru, 45,5% das localidades brasileiras entre 100 mil e um milhão de habitantes apresentaram crescimento superior a 1%.

O prefeito Rodrigo Agostinho, contudo, questiona a veracidade dos dados. “Não confio. É absurdo o Brasil fazer Censo populacional só a cada dez anos”, frisa, também lançando dúvidas sobre a real precisão do último recenseamento demográfico realizado pelo IBGE, há seis anos.

“O número de eleitores, de veículos licenciados, o volume de consumo de água e lixo produzido são fortes indicativos de que a cidade tem mais de 400 mil habitantes. E esta marca foi alcançada antes de 2010. Durante o Censo, uma parcela significativa da população que mora em prédios e condomínios fechados sequer foi consultada”, reclama, salientando que a contagem serve como base para o cálculo dos recursos federais a serem repassados aos estados e municípios.

O prefeito pondera, no entanto, que o crescimento populacional só é mesmo vantajoso quando acompanhado da proporcional ampliação da estrutura de serviços públicos. “Não gostaria que Bauru tivesse 1 milhão de habitantes sem que a cidade conseguisse se organizar para promover um desenvolvimento com qualidade de vida”, observa ele.