09 de julho de 2026
Política

Favelas que ficam em áreas de risco podem acabar neste ano

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Célia Maria: o aperto de assistir à demolição do barraco e a fé em dias com mais dignidade

O aperto no peito e a esperança de dias melhores dividiram o coração da doméstica Célia Maria da Silva enquanto era demolido o barraco em que morou por 21 de seus 37 anos. Nessa sexta-feira (2),  no entanto, seu marido e ela, junto a outras 47 famílias que viviam na favela Santa Filomena (próximo a Pinheiro Machado, proximidades do Nova Esperança) mudaram-se para os apartamentos do residencial San Sebastian, construído pelo programa federal Minha Casa Minha Vida e entregue na última quarta-feira. Até o fim do ano, a expectativa é de que outras 281 famílias sejam reassentadas e, dessa forma, sejam extintas as ocupações em áreas de risco em Bauru.

Essas pessoas estão, atualmente, nas favelas do Jaraguá, Andorfato, Parque das Nações, Iolanda, São Manoel e Gerson França. Seus destinos serão os últimos três empreendimentos de habitação de interesse social viabilizados pela União em Bauru, cujas obras estão em fase final: Manacás e Chácaras das Flores 1 e 2. Os convocados para estes últimos, inclusive, devem se apresentar com urgência a partir de segunda-feira (5).

Os reassentamentos promovidos nessa sexta-feira (2), associados às próximas ações previstas para 2016, não erradicam, é claro, todas as favelas da cidade. As que permanecerão, contudo, apresentam irregularidades de aspecto fundiário, relativo à titularidades dos lotes ocupadas, e não foram classificadas pelo Plano Municipal de Habitação de Interesse Social como áreas de risco. São os casos do Ferradura e do Nicéia, por exemplo.

Critério

Assistente social da equipe do Minha Casa Minha Vida em Bauru, Vanessa Ramos explica que já está em andamento o cadastro das famílias que serão assistidas pelo programa na modalidade de demanda dirigida (sem sorteio).

Segundo ela, para que os reassentamentos, planejados desde 2014, saiam do papel até o fim do ano, precisam ser elaborados laudos por arquitetos da Secretaria de Planejamento (Seplan), atestando o risco das áreas ocupadas pelas 281 famílias.

Vanessa frisa que critérios de habitação, e não de assistência, foram definidos para a escolha das famílias contempladas pelo Minha Casa.

Para que esses locais não voltem a ser habitados...

A maior parte das áreas de risco ocupadas irregularmente se encontra às margens de córregos da cidade. É o caso da favela Santa Filomena, cujas famílias foram reassentadas nesta sexta-feira.

Para garantir que mais pessoas não voltem a habitar o local, a secretária do Meio Ambiente, Lázara Gazzetta, garante que mudas de árvores serão plantadas na Área de Proteção Permanente (APP).

Segundo ela, isso deve acontecer logo assim que os trabalhos de demolição de barracos e de limpeza dos destroços sejam concluídos. “Também vamos cercar”.

Problema crônico

Lázara admite, porém, que o diálogo junto à equipe do Minha Casa Minha Vida para viabilizar esse tipo de ação, incluindo trabalhos de conscientização para evitar o abandono de animais domésticos em decorrência da mudança das famílias para os apartamentos, só teve início há seis meses.

Até essa sexta-feira (2), já haviam sido reassentadas 121 famílias do Jardim Ivone, 47 do Maria Célia, 38 do Jardim Vitória, 34 do Parque Real e 11 do Barreirinho.

A última favela foi erradicada em 2011, mas já há indícios de novas ocupações às margens do córrego homônimo. Para a área da antiga ocupação irregular do Jardim Ivone, a promessa era de um bosque, mas o local segue abandonado até hoje.

Adeus, esgoto!

Malavolta Jr.
Caminhões da prefeitura fizeram a mudança das 48 famílias da favela Santa Filomena para o residencial San Sebastian

O cheiro do esgoto, que corria pela terra, sem a devida coleta, é a principal marca das mais de duas décadas ao longo das quais viveu Célia Maria da Silva na favela Santa Filomena.

“À noite, era insuportável. No entanto, tudo o que construí foi morando aqui, inclusive onde conheci meu marido. Tenho muita história daquele barraco de madeira”, conta Célia.

Assim como ela, sua mãe e sua irmã viviam na Santa Filomena. Todas as precárias residências foram demolidas e, com a estrutura da Prefeitura de Bauru, a mudança das famílias e seus pertences para os apartamentos do San Sebastian aconteceu durante a manhã e a tarde dessa sexta-feira (2).

“Agora, vai ser uma vida nova. Estou confiante que será melhor”, acredita a empregada doméstica.