08 de julho de 2026
Geral

Bosque da Comunidade em Bauru "conecta" mundo real ao virtual

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Samantha Ciuffa
A ameaça de chuva não impediu que o mundo real se “conectasse” ao virtual

O Bosque da Comunidade, em Bauru, se tornou um ponto de convergência durante toda a tarde de sábado (3). A ameaça de chuva não impediu que o mundo real se “conectasse” ao virtual, já que caçadores de pokémons, jogadores de Ingress - um dos primeiros jogos de realidade aumentada a ser criado - e o público da 11.ª edição do Jardim Cultural estiveram reunidos em um único espaço.

O estudante Thiago Munhoz Pedrosa, de 19 anos, conseguiu conciliar os dois mundos. O jovem passava pelo Bosque da Comunidade e notou que havia uma apresentação de capoeira angola. O evento, inclusive, fazia parte da programação do Jardim Cultural. Pedrosa resolveu assistir à atração. “Eu costumava praticar enquanto criança. Depois, nunca mais tive contato com a capoeira. Por isso, a apresentação chamou minha atenção”, alega.

Por outro lado, o celular do rapaz estava com o Pokémon Go aberto. Enquanto ele assistia à capoeira, tentava caçar os monstrinhos que apareciam. Em seguida, acabou desistindo do jogo para dedicar sua atenção exclusivamente às demais atrações que estavam por vir. “E, claro, porque eu não trouxe carregador para o celular”, complementa.

Tatiana Santiago e Juliano Granciero, da Casa do Circo, apresentaram piruetas e acrobacias

Quem também deixou o celular de lado, pelo menos, por um tempo foi o estudante Guilherme Bicas de Sá, de 12 anos. Acompanhado dos pais, a autônoma Marisa Bicas de Sá, de 42, e o gerente comercial Márcio Danilo de Sá, de 44, o garoto assistia à apresentação de capoeira enquanto batucava o aparelho, como se este, de fato, fosse um instrumento de percussão.

Desde que o Pokémon Go chegou ao País, há exatamente um mês, o menino passou a jogá-lo e seus pais o acompanham até o Bosque da Comunidade quase todo final de semana. “Assim que chegamos, nos deparamos com diversas atrações, o que é bastante interessante. Havia até uma exposição fotográfica que mesclava o mundo real ao virtual”, frisa Marisa.

Exposição

Não foi apenas o Bosque da Comunidade que se tornou um “divisor de águas” entre o mundo real e o virtual. Uma mostra fotográfica, abrigada no mesmo espaço, também o fez. Utilizando seus smartphones e tablets, os visitantes puderam acessar, a partir de QR Code, as diferentes obras que compõem cada diálogo da exposição, baseada no projeto “Multigraphias”.

 A apresentação de capoeira, comandada pelo contra-mestre Tico, chamou a atenção de quem passava pelo Bosque

A fotojornalista bauruense Luciana Franzolin explica que a iniciativa partiu dela e de outros colegas: Gabriela Canale, Ygor Raduy, Ísis Fernandes, Jaime Scatena e Roberto Cambusano. “Temos um blog, onde dialogamos através de fotos, vídeos e GIFs. O projeto já recebeu a colaboração de aproximadamente 60 artistas de 100 cidades espalhadas pelo mundo”, diz.

A proposta era aproveitar a febre do Pokémon Go, que chegou ao Brasil no último dia 3 de agosto, para atrair um novo público, bem como desafiar quem já admira a arte a usar esse novo conceito de visualização. Enfim, outra forma de “conectar” o mundo real ao virtual e vice-versa. A mostra ficará no Bosque até o final deste mês.

Atrações

Não foi só a capoeira que compôs a programação da 11.ª edição do Jardim Cultural, embora a prática tenha chamado a atenção de quem passou pelo Bosque da Comunidade: houve quatro exposições artísticas - “Multigraphias”, “L’arte è mobile”, “Natureza Viva” e “Scott não voltou ainda” -, aula aberta de Aikido, encontro cênico “Mac Hê Ka’a”, piruetas e acrobacias da Casa do Circo, além da apresentação de Jô Moura com o Coletivo do Samba.

Evento traz convergência cultural

O Jardim Cultural é um projeto que surgiu de forma independente, em 2009, por iniciativa de cinco artistas residentes em Bauru. De lá para cá, foram mais de 50 apresentações assistidas por aproximadamente 5 mil pessoas. Uma das produtoras da iniciativa, Manuela Saggioro, destaca que a ideia é criar um espaço em que haja troca de vivências culturais.

É exatamente essa convergência que Kátia Sampaio, presidente do Instituto Vista, que é proponente desta edição do Jardim Cultural, faz questão de frisar. “Eu acredito que as artes estão setorizadas e o Jardim Cultural chegou para reunificá-las, ou seja, traz música, dança, expressão corporal, folclore, fotografia e pintura em um único evento”, elogia.

Confira o vídeo: