09 de julho de 2026
Geral

Rodrigo promete busca por áreas e sem-terra deixam praça da prefeitura

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Integrantes do MSL permaneceram acampados na Praça das Cerejeiras por cerca de 14 horas; manifestação foi pacífica

Integrantes do Movimento Social de Lutas (MSL) deixaram, no início da tarde de ontem, a Praça das Cerejeiras, onde permaneceram acampados por cerca de 14 horas. A PM informa que havia cerca de 200 pessoas no local, mas o MSL calcula 600. O grupo, que reivindica áreas para moradia, se retirou da praça após comprometimento do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) em buscar terras que possam ser negociadas. 

A pauta foi discutida em reunião ocorrida na prefeitura, nesta segunda de manhã, com a participação de representantes do MSL; do próprio prefeito; do chefe do gabinete, Arnaldo Ribeiro; da titular da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), Rosa Otuka; do procurador geral da Prefeitura de Bauru, Ricardo Chamma; do major e do capitão da PM, respectivamente, Costa Duarte e Paulo Cesar Valentim. 

Líder do movimento, Márcio Rodrigo Alves de Oliveira disse que, atualmente, são sete acampamentos espalhados na cidade. Na semana passada, reintegração de posse retirou parte do grupo acampada em lotes do Parque Baurulândia, conforme o JC divulgou.  

“Existem em torno de 3 mil famílias [do MSL] sem residência fixa. Em contraponto, são várias áreas do município que não estão sendo utilizadas”. Inclusive, a edição deste domingo do Jornal da Cidade trouxe ampla reportagem sobre o tema.

Durante o encontro ontem, Rodrigo Agostinho disse que irá se reunir com sua equipe com o intuito de buscar espaços que possam ser negociados. “Não existe nenhuma solução mágica. Temos que procurar área e conseguir recursos para construção de habitação. Grande parte dessas famílias recebe auxílio de algum programa social, seja federal ou municipal.  A gente vem buscando cadastrá-las, mas os números não batem”, argumenta. 

Audiência 

Por isso, ficou decidido na reunião que o movimento faria levantamento de seus integrantes para repassar à prefeitura. Os sem-terra temem, ainda, o cumprimento de reintegração de posse de área ocupada no Distrito Industrial 4, pertencente ao município. No próximo dia 13, inclusive, audiência no Fórum de Bauru tratará das ocupações no local, uma vez que algumas destas áreas estão concessionadas para a instalação de empresas. 

Uma ata em que o prefeito formaliza o compromisso com o movimento foi assinada. No documento, Agostinho se compromete, ainda, a tentar viabilizar área de refúgio caso ocorra a reintegração de posse no Distrito 4. Uma nova reunião para discutir essa questão foi agendada para a próxima sexta-feira (9) na prefeitura, às 10h30h. 

Ontem à tarde, os integrantes do MSL deixaram a Praça das Cerejeiras e retornaram aos sete acampamentos instalados em Bauru, nos bairros: Quinta da Bela Olinda, Distrito Industrial 4, Jardins Mary e Marabá, Baurulândia e Horto Aimorés. 

Vereadores apoiam os movimentos

Na sessão da Câmara Municipal de ontem, vereadores voltaram a manifestar apoio aos movimentos que lutam por moradia em Bauru. Roberval Sakai (PMB) disse que visitou as famílias acampadas e constatou in loco as dificuldades pelas quais passam.

“São idosos, pessoas com deficiência e com problemas de saúde, sem um teto para residir. Não têm para onde ir. São pessoas de bem”, afirmou.

Roque Ferreira (PSOL) afirmou que o direito à moradia digna está contemplado pelo Plano Municipal de Direitos Humanos.

Segundo ele, a escolha do comando da Polícia Militar para dialogar com os integrantes dos acampamentos reitera o processo de criminalização dos movimentos sociais.

O vereador disse ainda que, em reintegração de posse cumprida na semana passada, sua presença associada à do colega de parlamento Roberval Sakai, evitou  possíveis conflitos.

Já Moisés Rossi (PPS) enfatizou a legitimidade dos movimentos, mas criticou a postura de um dos secretários do governo municipal – sem citar seu nome – por supostamente incitar a ocupação de terras.