10 de julho de 2026
Esportes

Após incertezas, Jogos Rio-2016 começam hoje


| Tempo de leitura: 4 min

Ricardo Cassiano/Fotos Públicas
Momento do revezamento da tocha olímpica, nessa terça-feira (6), no Rio; hoje, a pira será acesa durante a cerimônia de abertura no Maracanã

Depois de um período de incertezas, os Jogos Paralímpicos do Rio-2016 começam oficialmente nesta quarta-feira (7)  tentando reprisar as Olimpíadas, que ficaram marcadas por disputas memoráveis e quebras de recordes dentro das pistas, quadras e piscinas e por alguns improvisos fora dela. No fim, o público ficou com uma boa impressão das Olimpíadas e isso acabou nutrindo grandes expectativas para a competição que se estende até o próximo dia 18.

Os Jogos Paralímpicos têm números consideravelmente menores que o das Olimpíadas, mas mesmo assim eles não deixam de ser grandiosos. Em 11 dias serão disputadas 23 modalidades e um total de 528 provas distribuirão medalhas. Destas, 225 são femininas, 265 masculinas e 38 mistas.

Ao todo, serão cerca de 4.300 atletas de 159 países em ação. O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) também terá uma delegação, formada por atletas independentes e refugiados. Todas as delegações estarão representadas nesta noite na abertura, no estádio do Maracanã, e nesta ontem elas já ocupavam seus lugares na Vila.

O público parece animado. Nas últimas duas semanas, a venda de ingressos cresceu e a tendência é de casa cheia em todas as finais. Até o fim da tarde de ontem, 1,6 milhão de ingressos já haviam sido vendidos, de um total de 2,4 milhões que foram colocados à venda. Há dez dias, menos de 300 mil haviam sido comercializados.

O Brasil é uma das potências paralímpicas - o País ficou na sétima posição no quadro de medalhas de Londres-2012, mas quem for ao Parque Olímpico da Barra, ao estádio Olímpico (Engenhão), à Lagoa Rodrigo de Freitas ou às arenas de Deodoro poderá acompanhar alguns dos maiores paratletas da atualidade.

Um deles é o sueco Jonas Jacobsson, que, aos 51 anos, já é dono de 28 medalhas, das quais 17 são de ouro. Cadeirante, ele é considerado uma lenda do tiro esportivo e, no Rio-2016, estará disputando a sua 10.ª edição de Paralimpíadas. O “Bolt Paralímpico” também já está no Rio. O irlandês Jason Smyth pode reprisar o jamaicano nestas Paralimpíadas porque, assim como Usain Bolt, disputará o tricampeonato nas provas dos 100 metros e dos 200 metros. Cego, Smyth é recordista mundial destas duas provas, com a marca de 10s46 (100 metros) e 21s05 (200 metros).

As Paralimpíadas também terão muitas ausências - são 43 países a menos do que os Jogos Olímpicos disputados no mês passado. A principal delas é da Rússia, banida completamente da competição devido ao escândalo de doping que já havia tirado boa parte da delegação das Olimpíadas.

Problemas de caixa fizeram o Rio-2016 mudar muitos de seus planos para as Paralimpíadas. O de maior impacto ficou no Complexo Esportivo de Deodoro, que não terá mais seu parque aberto como aconteceu durante as Olimpíadas - só as arenas serão usadas. A competição de esgrima em cadeira de rodas, prevista para ocorrer lá, foi transferida para o Parque Olímpico.

O Comitê Rio-2016 também se viu obrigado a encerrar o contrato de trabalho de quase dois mil funcionários temporários antes do previsto. Por economia, o número de voluntários também foi reduzido. Além disso, os governos federal e da cidade do Rio de Janeiro se viram obrigados a aportar dinheiro público no evento, cujo orçamento estava previsto para ser estritamente privado. Por meio de estatais, a União investiu R$ 100 milhões através de verba publicitária. Já a Prefeitura do Rio vai injetar R$ 150 milhões.

Mensagem universal

Com cerca de 50 mil pessoas nas arquibancadas, a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio vai celebrar feitos de para-atletas e lançar reflexões sobre os sentidos humanos.

O evento ocorre nesta quarta-feira (7), a partir das 18h15, no estádio do Maracanã, terá o tema “Todos Têm Coração”. Os organizadores e afirmam que a festa terá uma mensagem universal. Uma das principais atrações será a atleta paralímpica americana de snowboard Amy Purdy, bronze nos Jogos de Inverno de Sochi-2014, que fará uma apresentação de dança ao som de “Borandá”, de Sergio Mendes, com uma máquina como parceira. Outra será o norte-americano Aaron Wheelz, que descerá de cadeira de rodas de uma rampa da extensão da arquibancada e fará manobra radical ao final.

Um dos pontos altos deve ser o bloco com questionamentos sobre os sentidos humanos, com coreografia com bastões luminosos que lembram os usados por cego. Projeções mostrarão imagens caleidoscópicas, enquanto a cenografia fará demonstrações de ilusão de ótica. Haverá apresentação de dois dançarinos cegos. Outro destaque será a homenagem à roda dos cadeirantes por uma roda de samba com, entre outros, Maria Rita, Xande de Pilares, Teresa Cristina, Diogo Nogueira e Gabrielzinho do Irajá, que é cego.