11 de julho de 2026
Política

Surge novo reajuste de R$ 10 mi para ETE, mas secretário resiste

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

Marcelo Agustinho/Divulgação
Maior obra pública do Interior do Estado de São Paulo, estação de esgoto, ao lado do Distrito Industrial, está cheia de problemas

Já tramita pela Prefeitura de Bauru novo pedido de reajuste de preço no contrato entre o município e a COM Engenharia, responsável pela construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Caso seja autorizada pelo jurídico do governo Rodrigo Agostinho, a solicitação encarecerá a obra em mais R$ 10 milhões, levando a quase R$ 20 milhões o total de acréscimos ao valor inicial do contrato, de R$ 129,2 milhões.

O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, no entanto, trabalha para que a reivindicação não seja acolhida pela administração. Como revelado com exclusividade pelo JC na última quarta-feira (7), o contrato com a construtora prevê correções anuais nos valores pagos pelos serviços executados e equipamentos instalados.

O percentual do reajuste é calculado com base no Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) e foi fixado em 6,9% no primeiro termo assinado em maio deste ano, 14 meses depois da formalização do compromisso entre a prefeitura e a COM Engenharia.

Nessa quinta-feira (8), porém, Sidnei Rodrigues explicou que o direito à correção dos valores é garantido às empresas a partir da data de abertura da licitação, quando os valores que norteiam o orçamento da obra são conhecidos.

No caso da ETE, isso ocorreu em maio de 2014. Dessa forma, o primeiro reajuste anual, que impactará em R$ 8,8 milhões o preço da construção (JC de quarta), diz respeito ao período de 12 meses findado em maio de 2015, apenas dois meses após a assinatura do contrato entre a empresa e o município e um mês após a liberação da ordem de serviço.

“Esse reajuste, portanto, cobre a defasagem nos valores durante todo o tempo entre o começo do processo de concorrência e o início das obras. Esse longo intervalo se deu em função de uma série de impasses burocráticos. Houve questionamentos ao edital, apontamentos do Tribunal de Contas e todo o trâmite da Caixa Econômica Federal, já que a obra recebe dinheiro federal. Então, de fato, a construtora tem direito”, pontua Sidnei Rodrigues.

INEDITISMO

O secretário admite, contudo, que este foi o primeiro contrato de obra pública municipal em que constava expressamente o direito a este reajuste. “Isso só acontece quando o tempo previsto de execução é maior do que 12 meses. A prefeitura colocou porque já houve questionamentos judiciais anteriores de empresas sobre esse assunto e o município vinha perdendo”, justifica.

O NOVO

Como os reajustes podem ser solicitados anualmente, a COM Engenharia já requisitou a correção para o segundo período de 12 meses, concluído no último mês de maio. Agora, o índice gira em torno dos 7%, o que pode implicar em mais R$ 10 milhões no preço final da obra.

Este segundo pedido, no entanto, foi indeferido pelo secretário de Obras, Sidnei Rodrigues. O gestor entende que, neste caso, a COM Engenharia pode ter criado situações para procrastinar o andamento dos trabalhos.

Já é certo, contudo, que, em maio de 2017 a construtora terá direito a requisitar mais um reajuste anual pelo terceiro aniversário desde a publicação da licitação da obra. Isso será possível graças ao aditivo de tempo firmado entre a prefeitura e a empresa, que estendeu de setembro deste ano para dezembro do próximo o prazo final do contrato, cujo período de duração foi esticado de 18 para 33 meses.

Secretário sugere responsabilidades mútuas para mitigar os prejuízos

Aceituno Jr.
Com a diretora Ana Rosa Damasceno e a técnica Gilda Scaffi, Sidnei Rodrigues esteve ontem no JC e confirmou dimensão do problema e as providências que está adotando para minimizar

Possíveis medida para protelar a construção da Estação de Tratamento de Esgoto por parte da COM Engenharia são um dos fatores elencados pelo secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, para defender a rejeição ao segundo pedido de reajuste nos valores do contrato. Ele lembra que, logo no início dos trabalhos, a empresa já reivindicava aditivo de 11,5 milhões, mas só teve direito a R$ 857 mil.

Por outro lado, Sidnei voltou a admitir, ontem, problemas no projeto executivo da ETE, contratado pelo DAE junto à Etep (posteriormente incorporada à Arcadis Logos) por R$ 1,9 milhão. “Alguns desses problemas a construtora chegou a apontar durante o processo de licitação, mas o município optou por discuti-lo posteriormente, durante o andamento da obra. Por isso, precisamos discutir bem esse pedido de reajuste, que pode, inclusive, ser concedido parcialmente”, admite o secretário.

PENALIDADES?

Ao citar virtual lentidão supostamente proposital no andamento da obra, Sidnei Rodrigues foi questionado sobre a inércia da administração municipal ao não aplicar as penalidades cabíveis a empresa. “Como havia dúvidas sobre o projeto, não agimos. Mas, agora, com o aditivo de tempo, estabelecemos um novo cronograma, já com as dúvidas sanadas. Se as coisas fugirem do ritmo, vamos agir”.

O secretário não esconde, porém, o receito em torno de possível rompimento de contrato. “Seria péssimo porque demandaria discussão judicial, que impediria a retomada do trabalho por muito tempo. Muito do que já foi feito seria perdido e geraria ainda mais prejuízo aos cofres públicos. Se descontarmos a compra de equipamentos, que consome quase R$ 70 milhões do total, boa parte do trabalho de construção já foi executada”. Até agora, R$ 14,3 milhões em serviços foram medidos e pagos à COM Engenharia.

Tanques alagados podem até parar obra da ETE

Os pontos em que funcionarão seis tanques que integram o projeto da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) estão inundados por minas d’água no solo. O problema impede a continuidade dos serviços nesta frente de trabalho e expõe, segundo o secretário Sidnei Rodrigues, mais uma grave falha no projeto executivo da obra. “Temos que resolver essa situação até o mês de novembro. Caso contrário, as atividades terão que ser paralisadas. Não terá mais o que ser feito para adiantar outras etapas da construção”.

Sidnei conta que solicitou ao consórcio responsável pelo gerenciamento e fiscalização da obra, SGS-Enger-JHE, a elaboração de um novo projeto de drenagem. “A ideia era pagar esse serviço a eles e, posteriormente, cobrar judicialmente o ressarcimento desses custos da empresa que fez o executivo da ETE, mas a gerenciadora apresentou uma alternativa sem dar garantias de solução integral ao problema. Então, nos recusamos a pagar pelo serviço”, relata o secretário.

Diante do impasse, o prefeito Rodrigo Agostinho foi a São Paulo, há algumas semanas, para pressionar a Arcadis Logos – atual responsável pelo projeto da estação – a apresentar uma solução. “A empresa aceitou fazer isso gratuitamente. É uma corrida contra o tempo”, afirma Rodrigues.

Mais dinheiro

As adequações na drenagem do solo de seis tanques da futura estação pode culminar na necessidade de mais um aditivo em favor da COM Engenharia a fim de que os custos das prováveis intervenções possam ser suportados. Além dos reajustes, a empresa já foi contemplada com um aditivo no valor de R$ 857 mil, que diz respeito ao maior volume de terra movimentado para o início das obras, em relação ao estimado pelo projeto executivo da ETE.