09 de julho de 2026
Bairros

Festa de São Roque é tradição de Barra Grande

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Fotos: João Rosan e Divulgação
Na foto, show de Zé da Barca e Nair, realizado na Festa de São Roque em 2014
Principal atração da festa,  "As Galvão" cantam hoje às 17h

Uma festa regada a tudo o que uma quermesse das antigas tem direito: muita reza com missa e procissão, comida típica com frango e leitão assados, leilão de animais e muita cantoria de música sertaneja. Assim é a Tradicional Festa de São Roque, realizada na igreja de São Roque da Barra Grande com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura. 

O público é grande e vem da zonas urbana e rural do município, além de cidades da região. Tradicionalmente, no sábado, a festa começas às 19h com comidas e bebidas típicas. Das 23h às 3h, tem o bailão tradicional. Renda dos comes e bebes vai para obras da paróquia. A entrada é gratuita. 

Este ano, a principal atração da festa fica por conta de As Galvão, hoje, a partir das 17h. As comemorações ao padroeiro tiveram início no dia dele, 16 de agosto, com as tradicionais cerimônias religiosas, principalmente pela missa e procissão.

A festa faz parte do calendário oficial que comemora o aniversário de Bauru. Segundo Dorival Lombardi, que é da comissão organizadora da festa há 15 anos, esta é a única festa que celebra o aniversário de Bauru no meio rural. 

“É uma festa muito boa mesmo e que rende boas histórias. Já vi muita gente que veio de longe para ver seus ídolos cantarem. Uma cena tocante foi ver um rapaz se emocionar porque uma determinada dupla estava cantando uma canção de autoria de seu pai. Ele subiu ao palco e chorou de emoção”, recorda. 

Dorival vive em uma chácara da Barra Grande há 15 anos. De acordo com ele, uma curiosidade da região é a paixão pela música sertaneja, que une os moradores. “Normalmente, as pessoas se reúnem para cantar e tocar depois das missas aos finais de semana”. 

Ainda segundo Dorival, a comunidade religiosa existe no local há mais de 70 anos. Houve um tempo em que as festas deixaram de ser realizadas, mas há cerca de 15 anos foram reativadas com força total, pela comunidade e pelos freis inacianos, que chegaram na igreja que passou a pertencer à Paróquia São Paulo Apóstolo. Antes dos inacianos, a comunidade pertencia à Lins. 

Serviço

A Tradicional Festa de São Roque é realizada na igreja de São Roque do bairro rural Barra Grande, que fica na rodovia Marechal Rondon, km 360, trevo de Tibiriçá (lado contrário).   

O padroeiro

Celebra-se o dia de São Roque em 16 de agosto. Peregrino, o santo é mencionado nos cultos contra o terrível flagelo da peste.

Acredita-se que, aos 20 anos, São Roque ficou órfão e distribuiu sua herança entre os pobres. Quando partiu em peregrinação para Roma, teve o primeiro contato com as vítimas da peste, às quais não ocultou ajuda apesar dos riscos que corria, operou as primeiras curas milagrosas nessa época.

Assim, Roque foi peregrinando, seguindo sobretudo o caminho da misericórdia. Quando passava por Placência, foi contagiado pela doença.

Para não incomodar ninguém, saiu à procura de um lugar deserto a fim de morrer na solidão. Mesmo assim, sobreviveu graças a um cachorro sem dono que roubava pão para que o santo se alimentasse.

Quem o encontrou foi o patrício Gotardo Pallastrelli, que o hospedou em sua casa até a total recuperação. Quando isso aconteceu, saiu de Placência, mas foi preso ao ser confundido com um espião. Morreu na prisão cinco anos depois, em total esquecimento.                       Fonte: www.santoprotetor.com

Fé, religião e cultura

“A religião ajuda a fortalecer a cultura popular. A fé, a religião e a cultura estão intimamente ligadas”. As afirmações são do frei Alfredo Francisco de Souza, responsável pela capela de São Roque da Barra Grande, pertencente à Paróquia São Paulo Apóstolo. 
Segundo o frei, para a Igreja, quermesses celebram a vida em comum, a convivência em comunidade em torno da fé, da música, das comidas típicas... “No ato de reunir e confraternizar, a Igreja vê uma oportunidade de evangelização, porque tudo isso é cultura religiosa”, acrescenta. 
No caso da Festa de São Roque, ela começa no dia do padroeiro (16 de agosto) com missa festiva e solene e procissão. A festa social, que acontece neste fim de semana, é a segunda parte.

Adesão

“Outra coisa interessante é que nessa região de Bauru, as comunidades rurais celebram seus padroeiros com fervor. Sempre há grande adesão de pessoas, elas gostam desse tipo de festa mais rural, típica e caipira. Então a música e a comida são muito importantes, por serem elementos que fazem parte da vida das pessoas”, avalia o frei. 
Ainda segundo ele, o Brasil deixou de ser rural, mas quando as pessoas têm oportunidade, elas se voltam para essa cultura, que é valorizada com esse tipo de festa, com essas tradições ligadas à religiosidade popular. “É importante que os mais velhos levem os mais novos para conhecer isso tudo”.

Voluntários

Praticamente toda a festa de São Roque é realizada por voluntários. “E o trabalho é grande e difícil. Começa a ser preparado dias antes”, defende o frei.

Desde 1943

 que, em 1943, uma doença atingiu os animais da região causando a morte de bois, porcos e galinhas. Foi quando a família Crepaldi, por meio de Ângelo Crepaldi, doou um terreno e construiu uma capela com a ajuda dos moradores. 
Por ser considerado o santo protetor dos animais, São Roque “ganhou” a capela que foi inaugurada em 16 de agosto de 1946. Em 2007, a capela foi demolida, já que uma reforma não era mais possível. Em 16 de agosto de 2008, houve a inauguração da nova capela. 

Organização espera cerca de 5 mil pessoas neste domingo

A tradicional Festa de São Roque, que teve início ontem, segue hoje com diversas atrações, que têm início logo pela manhã com música ao vivo, feita por cantores da região. A cantoria rega o tradicional almoço de domingo da festa que se estende durante todo o dia e noite. 
Nos últimos anos, as festas passaram a receber cantores renomados do sertanejo raiz e o público, no domingo, passou a girar em torno de 5 mil pessoas . 
Já cantaram na quermesse nomes como Liu e Leo, Lourenço e Lorival, Pedro bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amarí, Leo Canhoto e Robertinho e Mococa e Paraíso. 
Hoje, a atração principal chega para coroar a festa do padroeiro de Barra Grande por volta das 17h. Quem mostra todo o seu sertanejo de raiz são As Galvão.

Elas sobem ao palco hoje

Com mais de 300 músicas gravadas, o duo, que tem como lema uma frase de Albert Einstein “Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor... Lembre-se: Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor com ele você conquistará o mundo”, continua a encantar seu público cativo e a conquistar novos fãs. 

Foi na Rádio Club Marconi, de Paraguaçu Paulista (SP), no ano de 1.947, que Mary, nascida em Ourinhos (SP), e Marilene, em Palmital (SP), nasceram artisticamente como Irmãs Galvão. Na época elas tinham 7 e 5 anos, respectivamente. Incentivadas pelos pais, Bertholdo e Maria, e por Mário Pavanelli, a estreia foi em um programa comandado por Sidney Caldini.
Depois de passarem pelas rádios Difusora de Assis (SP) e Cultura de Maringá (PR), elas sonhavam ir para São Paulo. A oportunidade veio por meio do proprietário de uma rede de emissoras, que as recomendou para uma apresentação na Rádio Piratininga de São Paulo.
Lá chegando, foram inscritas em um programa de calouros, “Torre de Babel”. Não concorreram ao prêmio, mas cantaram, encantaram e se tornaram profissionais da emissora.
A boa repercussão da participação rendeu-lhes uma melhor oferta para cantarem na Rádio Nacional, atual Globo e, em seguida, um contrato pela Rádio Bandeirantes, para os programas “Na Serra da Mantiqueira”, e “Brasil Caboclo”. 

O sucesso dos primeiros programas exclusivamente sertanejos na televisão garantiu uma posição de prestígio a este gênero musical, que passou a ser mais executado do que a chamada música urbana. E as Irmãs Galvão sempre estavam entre as figuras de proa no “Viola, Minha Viola”, “Som Brasil”, “Canta Viola”, “Especial Sertanejo” e “Musicamp”, entre outros.

Em 1985, o Maestro Mário Campanha começa a produzir os discos da dupla e com ela inaugura uma fase mais moderna. Assim, em 1985, lançam a lambada “No Calor dos Teus Abraços” e ganham Disco de Ouro, o que as projeta nacional e internacionalmente, com músicas tocadas em Portugal, Canadá e na Suíça.

Outros discos e prêmios vieram, entre os quais Prêmio Sharp, Prêmio Caras de Música e indicação ao Grammy Latino. Foi nesta fase que sentiram a necessidade de uma mudança e consultando a numerologia feita por Baralites Campanha, adotaram o nome “As Galvão”.
Depois de um longo caminho feito de dificuldades, lutas e também muita esperança, o sonho de encantar o Brasil com suas belas vozes foi realizado, tanto que o radialista Toni Gomide, carinhosamente, intitulou-as “As Vozes do Século”.