08 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: 'seo" Zé do Basquete é show!

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

Samantha Ciuffa
‘O segredo para chegar com saúde e disposição aos 85 anos é saber dosar a vida’

Quem frequenta os jogos do Bauru Basket certamente conhece uma das figuras que mais chamam a atenção no ginásio Panela de Pressão. Embora não faça cestas, ele levanta a torcida com sua alegria. O personagem da Entrevista da Semana de hoje é o carismático José Maria Fernandes, o ‘seo’ Zé do Basquete, como é conhecido por muitos. 

Sempre em quadra, seja com o rodinho ou distribuindo alegria para a torcida, ‘seo’ Zé comenta que o trabalho, que hoje também é visto por ele como hobby, enche a sua vida de alegria e de amigos. 

Sobre o carinho da torcida, ele diz: “O pessoal da torcida chega até mim para me cumprimentar, traz filhos, netos e me apresenta como um exemplo a ser seguido. Eu fico tão feliz quando isso acontece, porque, de certa forma, estou ajudando as pessoas”. 

O entrevistado de hoje também fala sobre sua juventude, sua carreira de mais de seis décadas na Tilibra e muitas outras histórias que colecionou ao longo de seus 85 anos.  
Recentemente, ele foi homenageado na página oficial do Bauru Basketball Team no Facebook, onde sua foto ilustra o perfil e a capa da página e faz sucesso com os seguidores. 

Jornal da Cidade – O senhor é conhecido em Bauru como o ‘seo’ Zé do Basquete. O que esse apelido significa para o senhor? 
José Maria Fernandes – Ah, significa muito. Eu fiz muitos e bons amigos graças ao basquete. Eu sou tido aqui como uma pessoa exemplar, o que me deixa muito satisfeito mesmo. O pessoal da torcida chega até mim para me cumprimentar, traz filhos, netos e me apresenta como um exemplo a ser seguido. Eu fico tão feliz quando isso acontece, porque, de certa forma, estou ajudando as pessoas. Quando meu aniversário é anunciado no ginásio, a torcida me aplaude de pé. Só tendo um coração muito forte como o meu para aguentar.   

JC – São 85 anos de vida e com energia de fazer inveja. Qual é o segredo dessa saúde toda? 

‘Seo’ Zé – O segredo é simples: saber dosar a vida. Eu nunca fui um beberrão. Sempre fui um homem caseiro, que soube e sabe respeitar a família. Nunca me envolvi em brigas. Nada disso. No meu tempo de jovem, eu gostava muito de bailinhos. Eu era um pé de valsa (risos). É assim que se vive. Eu tomo minha cervejinha, claro! Todo homem tem que tomar a sua cerveja, mas, assim, no fim de semana, quando trabalho demais e estou cansado no fim do dia. Mas é uma latinha. Eu me alimento bem, durmo bem. Não devo nada a ninguém. Faço academia. É isso. 

JC – O senhor está com o basquete de Bauru desde quando?

‘Seo’ Zé – Eu entrei aqui em 1998. Comecei a trabalhar aqui quando o Caio Coube ainda era presidente do clube, e da Tilibra também. Embora aposentado, eu ainda trabalhava na Tilibra naquela época. Eu comecei trabalhando com a parte hidráulica por aqui. Também dava manutenção em dia de jogos. Foi quando saí da Tilibra e fiquei por aqui em definitivo. 

JC – Foram muitas as emoções durante esses anos?     

‘Seo’ Zé – Tenho muitas e boas lembranças. As vitórias sempre marcam, como esse último campeonato conquistado, a Liga das Américas. Eu faço questão de participar de todos os jogos e faço questão de sair na fotografia, os próprios jogadores me puxam (risos).

JC – As viagens também fizeram parte do seu trabalho com o esporte?

‘Seo’ Zé – Nossa, eu viajei muito com o time. Durante 10 anos rodei o Brasil todo com o basquete. Mas, olha, embora tenha conhecida dezenas e dezenas de cidades, eu não troco Bauru por nada. Morar em Bauru é uma alegria para mim. 

JC – O senhor fez carreira na Tilibra?

‘Seo’ Zé – Foi praticamente o meu único emprego. Trabalhei lá durante 68 anos como mecânico. Entrei lá com 12 para 13 anos. Modéstia à parte, garota, sou um ótimo mecânico. Mas não mecânico veicular, eu construí máquinas, fiz peças... Ainda leio minhas partituras.   

JC – Como era a Bauru da sua juventude? 

‘Seo’ Zé – No meu tempo de jovem era muito mais fácil viver. A gente trabalhava aos sábados até o meio-dia. À tarde, eu ensaiava com a banda para tocar nos bailinhos. Eu tocava acordeom. Fui um bom sanfoneiro. Quando não tinha baile, a gente fazia o famoso footing no Centro da cidade. Isso ocorria aos sábados e domingos, na Batista de Carvalho e Primeiro de Agosto. A Praça Rui Barbosa também era uma delícia para passeios.    

JC – Por que o jogador Murilo Becker merece a sua “nota 10”?

‘Seo’ Zé - Ele veio para cá do Sul ainda molecão. Jantou em casa diversas vezes. A gente dava todo o apoio para ele. Ele é de casa. Gosto muito dele mesmo. E ele também nunca esquece da gente, sabe. Dou dez para ele pelo homem e pelo ser humano que ele é. Ele jogou aqui durante cinco anos e sempre me levou em casa após os jogos, para me proteger dessa bandidagem aí das ruas. Agora, ele está no Rio de Janeiro e já me mandou uma camisa do novo time dele, o Vasco da Gama.  

JC – O que deixa o ‘seo’ Zé do Basquete feliz? 

‘Seo’ Zé – É a vivência que eu tenho com muitos e bons amigos, poder torcer para o time de basquete de Bauru (e eu torço muito), ser corintiano e curtir belas músicas. 

JC – O que deixa o ‘seo’ Zé do Basquete triste? 

‘Seo’ Zé – Ver o Corinthians e o Bauru Basquete perderem (risos). 

 

Perfil

José Maria Fernandes tem 85 anos
Nasceu em Piratininga e vive em Bauru desde menino

É do signo de Leão e tem como hobbies ouvir música e trabalhar
Por falar em música, é apaixonado por vanerão gaúcho

É casado com Maria Neide Mesquita Pilla e pai de Marco Antônio, Roberto, Paulo Sérgio e Márcio
Corintiano, ele divide a paixão esportiva com o Bauru Basquete 
Nota 10: Para o Murilo Becker 
Nota 0: Para a bandidagem; não suporto ver tanta coisa errada hoje em dia e eu sou um homem do bem 
E-mail: joseneidemar@hotmail.com