Elas voltaram, assim como eles, as músicas dos candidatos a cargos públicos voltaram. A cada dois anos elas estão aí, e pedem o seu, o meu, o nosso voto. Cheias de lá, lá, lá e pam, pam, pam, animadas e recheadas de promessas, buscam, principalmente, nossa atenção. Eu, por exemplo, tenho na cabeça as músicas dos candidatos a presidente no ano de 1990 até hoje. Lembro das músicas do Lula, Brizola, Afif Domingos, Collor, Ulysses Guimarães e até do Afonso Camargo... Como fantasmas, elas me perseguem. São implacáveis, uma espécie de ditadura do mau gosto. Se é música de candidato, aposte que é ruim, de má qualidade e fica impregnada em sua cabeça.
Coisa de marqueteiro, só pode. E, pior, não mudaram nada de 1990 para cá. Ou seja, não amadureceram. Dia desses, numa festa infantil, um amigo colocou várias dessas músicas para as crianças dançarem. Todas as crianças tinham por volta de 5 e 6 anos. As canções eleitoreiras foram um sucesso e a meninada até repetia os refrões: Para fulana eu digo SIM, para o desemprego eu falo NÃO... Não, não, não, para o desemprego eu falo NÃO. Recordei-me de quando meus filhos eram pequenos e eu cantava as músicas dos palhaços Atchim e Espirro e Patati Patatá. Bons tempos aqueles. Essa volta ao passado, de rememorar os instantes com os afetos, é uma coisa boa que a política está me proporcionando neste ano de 2016.
Quanta saudade... Mas, voltando à festa, a sorte é que não havia político, caso contrário rolaria uma eleição sobre a música mais “descolada”. Músicas à parte, o mais complicado é que a mentalidade do candidato parece que também não amadureceu. Quem, de fato, apresenta uma campanha saudável, expõe suas ideias e seu programa de governo de uma maneira madura e clara a valorizar o eleitor e chamá-lo a dar importância a todo processo democrático?
Pois o que se vê, à semelhança das músicas, são promessas vazias, repletas de milagres e críticas sistemáticas aos adversários, mas nada de concreto, nada de debate pertinente aos grandes desafios que a sociedade contemporânea enfrenta.
O foco é na música e na idiotização do eleitor.
Uma pena, pois poderia ser diferente, bem diferente. Dá até para parafrasear Chico Anisio: ‘E o amadurecimento, ó... continua como o salário, pequeno, pequeno...’ Mas, anime-se, pois nem tudo está perdido, caso nenhuma música tenha te agradado nesta eleição, daqui a 2 anos teremos outra, aliás, muito mais cheia, com deputados, senadores, governadores e presidente a mostrar toda criatividade que um político deve ter para conquistar o eleitor...
Até 2018...
O autor é colaborador de Opinião