| Malavolta Jr. |
| Gina Sanchez: “(No segundo ciclo), o tempo de organização muda e o nível de exigência aumenta” |
Tornar o ambiente escolar um lugar mais atrativo para os adolescentes e aproximar as famílias da rotina dos alunos são desafios a serem enfrentados pelas unidades de ensino da rede pública de Bauru. Divulgado nesta semana, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015 mostrou que o desempenho das escolas nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) segue abaixo das metas estabelecidas pelo Ministério da Educação.
Na rede estadual, a nota foi de 4,6, sendo que o patamar desejado de 5,4. Já nas unidades municipais, o índice foi de 4,8, sendo a meta projetada em 5,6. Nos anos iniciais (1º ao 5º), quando os alunos ainda são crianças, tanto o Estado quanto o município alcançaram o desempenho idealizado pelo MEC. Na rede municipal, a nota foi de 5,9 (meta de 5,7) e, na estadual, 6,3, exatamente o índice da projeção.
Diretora do departamento de ensino fundamental da Secretaria Municipal de Educação, Elisabete Pereira avalia que, de maneira geral, as escolas ainda enfrentam dificuldades para conquistar os jovens, que tendem a se tornar mais dispersos quando fazem a transição da infância para a adolescência. “Nesta idade, os interesses se tornam múltiplos e prender a atenção deles fica mais difícil. É preciso trabalhar a formação do professor com maior ênfase no segundo ciclo. E temos buscado meios para isso”, observa.
Os anos finais do ensino fundamental na rede pública de Bauru estão estagnados desde 2009 em patamares abaixo do previsto pelo MEC. Entre as soluções para reduzir este descompasso, Elisabete aponta a adequação permanente da linguagem e do ferramental utilizado, bem como da forma com que os professores se relacionam com os alunos.
Ruptura
É um desafio também vivido pela Diretoria Regional de Ensino (DRE), às quais as unidades estaduais estão subordinadas. A dirigente Gina Sanchez salienta que, ao ingressarem no 6º ano para iniciar o segundo ciclo do ensino fundamental, os alunos experimentam uma ruptura, tendo de aprender a lidar com a administração dos estudos em várias disciplinas.
“Eles passam a ter diversos professores, com conteúdos, trabalhos e pesquisas diferentes, além de ter menor tempo de aula em uma disciplina no mesmo dia. O tempo de organização muda e o nível de exigência aumenta. E isso pode trazer dificuldades para uma parcela dos estudantes”, analisa.
Assim como Elisabete, Gina também pondera que a rede de ensino precisa estar em constante atualização, se adequando às demandas de uma geração extremamente conectada às novas tecnologias. “São ferramentas que vêm sendo cada vez mais utilizadas em sala de aula. Também temos a preocupação de sempre estabelecer um link entre os conteúdos aprendidos e a realidade dos alunos, para que o aprendizado tenha mais significado e seja mais prazeroso”, pontua, lembrando, contudo, que educação é um processo em constante transformação.
“O caminho é longo e seguimos, ano a ano, em busca de novas estratégias, entendendo como se dá o processo de aprendizado destes alunos e ajudando os professores dentro do ambiente escolar”, completa.
Ideb em números
Apenas cinco das 37 escolas estaduais de 6º a 9º ano de Bauru (13,5%) alcançaram suas metas individuais estabelecidas pelo MEC. Já entre as cinco escolas municipais de segundo ciclo, nenhuma registrou os índices projetados.
Nas unidades estaduais de 1º a 5º ano, o desempenho foi significativamente melhor, com 23 das 30 escolas (76,6%) atingindo suas respectivas metas. Na rede municipal, 14 das 16 unidades (87,5%) alcançaram as projeções. Criado em 2007, o Ideb avalia a qualidade da educação no ensino fundamental e médio de escolas públicas e privadas. A nota varia de 0 a 10. De acordo com a meta do MEC, a rede municipal de Bauru precisa alcançar, até 2021, média 6,3 nos anos finais. Já a rede estadual precisa chegar a 6,1. Nos anos iniciais, as escolas municipais precisam atingir nota 6,5 e as estaduais, 7.
Divulgado a cada dois anos, o Ideb é calculado com base nos dados do Censo Escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono, por exemplo) e médias de desempenho nas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), como a Prova Brasil, aplicada a crianças do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.
Família
Elisabete Pereira também destaca a importância de um envolvimento maior das famílias, que tendem a acompanhar com menor intensidade a rotina escolar dos alunos conforme eles crescem. “Nos anos iniciais, os pais estão mais presentes na escola. Mas, nos anos finais, o adolescente já começa a não gostar muito deste cuidado. Quer ter independência, mas ainda não tem maturidade suficiente para prosseguir sozinho com os estudos, embora acredite que tenha”, analisa.