08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ACIDENTALMENTE DIZENDO

Bomfim Costa
| Tempo de leitura: 1 min

ACIDENTALMENTE DIZENDO

Carro novo, vida velha. A quilometragem não passa de 100 por hora. O documento de motorista ainda cheira papel novo, plastificado e sem amasso. Seis horas da manhã, estrada lisa, céu azul e tudo como deve ser. Os bancos do carro ainda com plástico.

Além da motorista, há mais dois indivíduos indo para o mesmo endereço, ou melhor, esperando alcançá-lo. Por azar, placas de animais na pista em volta. Por aviso, a qualquer instante algo pode acontecer. A vida tem dessas, às surpresas. E por mais surpreendente que tenha sido, um pequeno cachorro, perdido, decide caminhar pela travessia. O animal também busca pelo seu endereço.

Surpreendentemente, o carro vagava pelo mesmo segundo dessa caminhada animal. A motorista pensa: ele ou eu? A dúvida é inferior à razão. Decisão tomada, desvio quase completo e, os pneus perdem o contato com o solo. Gira o mundo, gira tudo, como uma roda gigante com pressa.

No primeiro instante, passa um filme na mente dos integrantes do veículo. Girou mais uma vez, e outra, e outra...  Até que se estabilizou no asfalto quente, aquecido pelo sol da manhã. Porta-malas vira capô e capô vira teto. Infelizmente, ou felizmente, o único que completa o destino é o cachorro.