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| A pesquisadora Lilian Wurzba lança a obra, que tem foco no trabalho do pintor Hieronymus Bosch |
Uma reflexão sobre a melancolia religiosa e suas expressões simbólicas a partir da obra de Hieronymus Bosch. Esta é uma das atrações do 1.º Simpósio Junguiano e Diálogos Interdisciplinares no dia 17 de setembro, com agenda aberta das 8h às 21h, no Hotel Obeid Plaza em Bauru, realização do Cursos Julieta Haddad, com apoio do Caderno Ser do Jornal da Cidade (leia mais ao lado).
Na agenda, a psicóloga, com mestrado e doutorado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Lilian Wurzba, fará o lançamento do livro “Natureza irreal ou fantástica realidade”. Segundo a autora, a obra retrata a pesquisa científica que levou em conta posições teóricas da psicologia analítica de Car Gustav Jung e a produção artística de Hieronymus Bosch, pseudônimo de Jeroen van Aeken, pintor holandês dos séculos 15 e 16. Seus trabalhos retratam cenas de pecado e tentação através de figuras simbólicas complexas, imaginativas e de caricatura.
O tema que circunda a obra é a genialidade relacionada à melancolia e, como Bosch, isso se deu no “mergulho existencial transportado para sua obra de arte, como o artista conseguiu transpor a dimensão mais sombria dos conflitos internos e gerou transformação, superação dos complexos”.
A sugestão de referência, mesmo para os não acadêmicos, em relação ao livro, é o de adentrar à reflexão da presença inevitável da melancolia no ser humano, mas, com esta, sendo apropriada sob a possibilidade de desenvolvimento interior e profundo. A autora percorre a temática da melancolia religiosa, presente de forma significativa nas reflexões da psicanálise de Jung, tendo como evidência a transformação do sofrimento em arte, através da decomposição das emoções em expressões criativas. Assim, a obra percorre o tema através da obra de Bosch.
O conceito
Para mergulhar no livro, a autora sugere a apresentação, em síntese, do conceito de religiosidade por Jung. “O conceito de religião para Carl Jung fica além da pré-instituída, da religião dogmática. Ele se baseia muito no que o filósofo histórico Cícero apresenta. Ele dizia que a base do termo religião, relegere, significa a devoção aos deuses e uma respeitabilidade, uma confiança, em algo que chama de divino, porque é aquilo que nos transcende. Se olharmos como Jung, propõe a esfera psíquica, a esfera da consciência e do inconsciente seria, então, algo que tanto pode transcender quanto algo que pode perturbar o desenvolvimento da própria consciência”, elabora.
Doutorado
O livro é resultado da tese de doutorado da autora e o conceito de melancolia religiosa foi construído por Lilian a partir da história do termo. “O termo melancolia nasce na esfera da medicina. E se refere, no início, a um dos humores que constituem o corpo, a natureza humana. A partir o termo, foi explorado na medicina, porque tentaram encontrar onde estaria situado esse humor negro, com várias possibilidades levantadas. Mas o termo melancolia também foi para a filosofia, porque existe o problema de Aristóteles que afirma que todos os que se destacaram nas várias áreas são todos melancólicos. E Aristóteles afirma e pergunta por quê?”, levanta a autora.
Nesse sentido, a genialidade estaria ligada à melancolia. Ou seja, em última instância, as pessoas rasas na intelectualidade não teriam essa capacidade de realizar o mergulho profundo no autoconhecimento. “Então, estamos dentro da medicina, dentro da filosofia e também na área da religião ao estudar a melancolia neste livro”, informa.
Lilian Wurzba conta que a publicação traz como premissa, a partir da obra de Bosch, de que “ele está trazendo, na verdade, a expressão da obra de arte verdadeira mencionada por Jung, aquilo que toca no profundo da natureza humana. Essa obra não é algo pessoal, para exorcizar seus demônios ou pra apresentar algum aspecto reprimido de sua personalidade. Em minha opinião, a obra está respondendo a uma época caótica, o final da Idade Média, dizendo que o homem é assim, ele funciona desta forma. E Bosch propõe que, enquanto a sociedade, da época, não percebesse isso, não conseguiria deixar de viver aquele caos“, teoriza.
A expressão simbólica, portanto, da melancolia na obra de Bosch seria exatamente essa ligação entre a consciência e o inconsciente (na linguagem atual). ”Na linguagem da época, a analogia foi entre o homem e Deus”, conclui. E Bosch, na visão da autora, conseguiu realizar essa transposição fazendo a relação entre sofrimento e arte, realizando a decomposição de sua melancolia em seu trabalho. E de forma profunda.
O evento
O 1.º Simpósio de Psicologia Junguiana e Diálogos Interdisciplinares ocorre no Obeid Plaza Hotel, neste sábado (17), das 8h às 21h. Inscrições pelo site www.cursojunguiano.com.br ou pelo telefone (14) 99786-7311. Valor de R$ 150,00 para profissionais, R$ 100,00 para estudantes (graduação ou pós-graduação) e R$ 90,00 para alunos do Curso Junguiano de Bauru. Profissionais e estudantes de qualquer área podem participar.
Além de Lilian Wursba, entre os nomes confirmados estão o filósofo Luiz Felipe Pondé (doutor em filosofia pela USP e pós-doutor pela Universidade de Tel Aviv, em Israel), Liliana Wahba (doutora em psicologia clínica na PUC/SP), Marilene Krom (doutora em psicologia clínica pela PUC/SP), André Luiz Malvezi (professor assistente doutor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Unesp/Bauru) e Michel Fillus (mestre em psicologia analítica).