09 de julho de 2026
Nacional

Brasil ratifica acordo mundial do clima


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O presidente Michel Temer ratificou ontem, o Acordo de Paris, que estabelece esforços mundiais para reduzir as mudanças climáticas e limitar o aumento da temperatura a menos de 2ºC até 2100. O Brasil é o terceiro grande país a ratificar o acordo - os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, Estados Unidos e China, tomaram a iniciativa no dia 3.
Na cerimônia de ratificação, Temer afirmou que a questão climática “não é apenas de um ou outro governo, é uma questão de Estado”. “É uma obrigação dos governos”, disse, ressaltando que a responsabilidade está expressa na Constituição.

Ao lado do ministros José Serra (Relações Exteriores) e Sarney Filho (Meio Ambiente), Temer citou a Rio 92 e a Rio+20 como exemplos de que o Brasil está atento às questões climáticas e disse que era importante chegar aos Estados Unidos na próxima semana para a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com o texto ratificado. “O acordo não visa ao dia de amanhã, mas a um futuro que preserve as condições de meio ambiente”, disse.

Sarney Filho ressaltou a necessidade de urgência. “Sabemos que o preço do nada a fazer em relação ao clima seria muito alto para todos”, afirmou. Ele sinalizou ainda que o plano para implementar as metas do Brasil deve sair até o fim do ano. Já Serra declarou que “o princípio orientador do acordo é que todos os países devem buscar os maiores objetivos possíveis”.

Representando a sociedade civil na cerimônia, Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, lembrou que o Brasil tem políticas incoerentes. 

“Ainda planejamos novas termoelétricas a carvão, enquanto outros países fecham as suas; apostamos alto no petróleo, enquanto o mundo já se deu conta de que a maior parte das reservas de combustíveis fósseis ficará no subsolo; queremos reduzir a proteção dos nossos parques, enquanto as unidades de conservação são nosso porto seguro contra um clima cada vez mais hostil. Há muito que avançar”, afirmou.

À reportagem, ressaltou depois que é importante que a agenda do clima se torne um “pilar estratégico das políticas de desenvolvimento do País, incluindo as políticas e medidas de ajuste econômico que devem visar à promoção das ações que reduzem emissões”. 

A expectativa é de que a ratificação sinalize que o País está aberto a negócios de baixo carbono. “Passa um sinal claro de redirecionamento da economia”, argumentou Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.