09 de julho de 2026
Polícia

Garota de 17 anos bebe na escola e convulsiona

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

besttemas.com.br
A garota tomou suco de uva misturado a substâncias ainda desconhecidas

Uma adolescente de 17 anos ingeriu bebida “batizada” e sofreu convulsão dentro de uma escola estadual de Bauru. A jovem foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga e já recebeu alta. Os nomes dos envolvidos não serão divulgados pela reportagem em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O caso foi registrado na manhã da última terça-feira (13), durante aula ministrada a uma turma do terceiro ano do ensino médio. Segundo a mãe da vítima, que procurou o JC para relatar o caso, a garota tomou suco de uva misturado a substâncias ainda desconhecidas, que foi levado por alunos da própria escola.

“Três meninos e outras duas meninas também tomaram, mas foram goles pequenos. Ela tomou dois goles maiores e passou mal”, detalha, com base nas imagens que, segundo ela, as câmeras de monitoramento existentes dentro da sala de aula captaram. A reportagem, contudo, não teve acesso ao vídeo, que teria sido exibido aos pais pela diretoria da unidade.

A mãe, de 43 anos, diz que foi acionada por funcionários da escola e encontrou a filha vomitando e tendo convulsões. Segundo ela, a médica que atendeu a adolescente na UPA Ipiranga informou que os efeitos eram típicos de quem havia ingerido drogas.

“Quando parecia que ela tinha acalmado, teve uma segunda convulsão e foi levada para a emergência de novo. Foi quando comecei a orar e pedir para Deus, porque não havia mais o que fazer. E ela voltou daquele estado”, relembra.

Procurada, a assessoria de imprensa da prefeitura alegou que não poderia fornecer informações sobre o prontuário da paciente. A jovem, contudo, recebeu alta no mesmo dia e passa bem. Segundo a mãe, a filha contou que suco tinha um “doce”, termo que designa a droga LSD (dietilamida do ácido lisérgico).

“Ela disse que eles levavam este tipo de suco com frequência na aula e que ela sempre recusou. Ontem, eles insistiram, dizendo que todo mundo estava tomando e que não tinha nada demais. Mas, depois que ela engoliu uma quantidade maior do que os demais, disseram que ela teria overdose”, revela. Depois que começou a passar mal, a menina diz não se lembrar de mais nada.

‘Medidas disciplinares’

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado informou que a Diretoria Regional de Ensino de Bauru está conduzindo uma apuração para identificar os alunos responsáveis por levar a bebida à escola e que “medidas pedagógicas e disciplinares devem ser tomadas em relação aos envolvidos”.

A aluna ainda não retornou à escola e a mãe cogita a possibilidade de transferi-la para outra unidade ou viabilizar seus estudos em casa até o final deste ano letivo, visto que a adolescente começou a ser alvo de bullying. “Ela falou que se tornou uma vergonha para a família. Tem gente mandando mensagens no celular dela, a chamando de ‘noia’. E ela não tem esta índole. Eu tomei o celular, porque ela está ficando deprimida com isso, fica dizendo que não sabe como vai viver depois do que aconteceu”, lamenta.

Perícia na garrafa

Segundo o delegado Eduardo Sganzella, responsável pelo caso, a garrafa de suco apreendida deverá ser encaminhada para perícia no Instituto de Criminalística de São Paulo. Ele explica que, caso os responsáveis por levar a substância para a escola e oferecê-la à garota tenham menos de 18 anos, responderão por ato infracional, enquadrado no artigo 243 do ECA,  por “entregar produtos cujos componentes possam causar dependência”. Se tiverem mais de 18 anos, responderão a inquérito criminal.