10 de julho de 2026
Cultura

A Cia. Os Crespos comemora 10 anos e apresenta trilogia


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Divulgação
“Além do Ponto” traz casal heterosexual que está terminando e que se encontra para ensaiar fim

A Cia. Os Crespos comemora 10 anos de existência apresentando ao público a trilogia “Dos Desmanches aos Sonhos”, uma pesquisa que investiga as relações de afetividade, negritude e gênero e o impacto da escravidão na maneira de amar dos brasileiros. Nesta sexta-feira (16), às 19h, a companhia apresenta “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas”. Logo depois, às 21h, Os Crespos mostram a peça “Cartas a Madame Satã - ou me desespero sem notícias suas”. No dia seguinte, sábado, 17 de setembro, às 19h30, os artistas trazem ao público de Bauru o aclamado “Além do Ponto”. Todos os espetáculos acontecem no Espaço Protótipo e os ingressos têm preços populares:  R$ 5,00.  

Criados entre 2011 e 2014, cada espetáculo aborda o tema através de diferentes óticas. Realizado com recursos do Proac e apoio da Secretaria Estadual de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Todas as pesquisas realizadas em “Dos Desmanches aos Sonhos”  nasceram a partir de entrevistas que serviram de base para a montagem de cada espetáculo.

A Cia. utilizou também base de dados de estudos para fundamentar os personagens e as histórias. “A afetividade entre homens e mulheres negros não é algo muito falado, estudado, não encontramos em livros. Então partimos de histórias dos outros para construir a nossa dramaturgia. As pessoas têm muitas dificuldades de falar”, afirma Lucélia Sergio, atriz e uma das fundadoras dos Crespos.

Como são os espetáculos

“Além do Ponto” traz um casal heterossexual que está terminando e que se encontra para ensaiar o fim. Movendo-se entre pedaços de histórias eles tentam reconhecer, ao final do relacionamento, os motivos de suas dificuldades no amor. A história pregressa de cada personagem é revisitada.

E quando, depois de algum tempo separados, o casal se reencontra, a mala das recordações é aberta. Ao final de nove encontros e diante do questionamento sobre um “final feliz”, a história perde seu caráter privado e passa a ser uma tarefa coletiva, onde os atores abrem a obra a um final diferente, escolhido pelo público, a cada dia. No cenário, um apartamento onde os móveis estão amontoados, utensílios domésticos e caixas no chão, livros e discos espalhados, tudo está prestes a ser dividido. A trilha sonora é executada ao vivo por um DJ, que também atua como cupido urbano na história.

“Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar sem Asas” fala da afetividade da mulher negra. Nesse espetáculo discute-se a família, os filhos, o amor com o parceiro e a parceira. Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar. Revelando seus medos, dores, amores em um jogo, no qual a plateia acompanha a transformação da atriz em diferentes personagens. A cena envolve tanto espaços públicos, como a rua, um salão de beleza e um bar, quanto ambientes privados. Casas sem paredes, onde as personagens são reveladas em diferentes cômodos. Fragmentos de vidas, sem costura seus caminhos.

Cartas a Madame Satã ou me desespero sem notícias suas: O espetáculo solo com o ator Sidney Santiago parte da pesquisa sobre a homoafetividade de homens negros, sua sociabilidade diante dos estereótipos sexuais de virilidade que cerceiam sua experiência afetiva. A personagem, em tom confessional, mescla a força do gesto com a delicadeza do discurso, buscando a cumplicidade do espectador para tornar público uma afetividade cercada de tabus.

São histórias ou pedaços de histórias que ganham vida na pele da personagem - um ator -  e que, portanto ,pode viver muitas vidas. Ele se corresponde com a figura mítica de Madame Satã e através dessas histórias, ao mesmo tempo, constrói imagens e discursos sobre elas. A peça é um desenrolar de vestígios de uma sociabilidade cerceada e impressões sobre a construção da identidade desse indivíduo que busca libertar-se de estereótipos sexuais determinantes para sua vida.

Programe-se

Hoje
19h - “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas”
21h - “Cartas a Madame Satã - ou me desespero sem notícias suas”.

Amanhã
19h30 - “Além do Ponto”
Espaço Protótipo fica na rua Monsenhor Claro, 2-57 – Centro. Informações: (14) 3100-0900.