| Rogerio Avelino/Divulgação |
| Show terá interação plena com público: André Frateschi (vocal), Marcelo Bonfá (bateria e vocal) e Dado Villa-Lobos (guitarra e vocal) |
Uma das bandas de rock mais icônicas do Brasil, finalmente, desembarca em Bauru. O saudosismo tomará conta do Sagae Eventos neste sábado (17), a partir das 23h30, onde a Legião Urbana apresentará show especial que celebra 30 anos do grupo, originário de Brasília.
Embalados por sucessos contemporâneos como “Faroeste Caboclo” e “Pais e Filhos”, os fãs vivenciarão mais de duas horas de pura nostalgia ao comando de Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi, convidado para representar Renato Russo no palco.
Dado falou ao JC e vê futuro para o rock: “Uma renovação de público. É uma esperança, uma intuição”. O guitarrista se mostrou entusiasmado com a apresentação em Bauru e prometeu uma noite memorável. “Será um grande show de rock, uma interação plena com a plateia”.
O projeto surgiu em 2015 com a proposta de lançar uma Edição Especial do primeiro disco (1985), que leva o nome da banda. O processo despertou em Dado e Bonfá a vontade de tocarem juntos novamente, com a participação de amigos.
Mas, para evitar erros ou mal-entendidos, deixou-se claro que não existe a possibilidade de “volta” da Legião Urbana. Como já disseram inúmeras vezes, a Legião - como banda - acabou junto com a morte do Renato, em 1996.
Quem dividirá os vocais com o público em Bauru será o ator e cantor André Frateschi, que já se apresentou junto aos integrantes da Legião outras vezes, uma vez que ele costumava acompanhar Dado, Renato e Bonfá quando tinha 10 anos na turnê de 1985.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Dado Villa-Lobos.
JC: Qual a proposta de show para Bauru?
Dado Villa-Lobos: A gente vai fazer o show que a gente vem fazendo, que é a comemoração dos 30 anos do primeiro disco. Então, vamos tocá-lo na íntegra e, depois do intervalo, os grandes sucessos da banda. Serão mais de duas horas de apresentação, num grande show de rock, uma interação plena com a plateia.
JC: A cena do rock no Brasil perdeu espaço?
Dado Villa-Lobos: Perdeu frente à grande mídia. Mas eu acho que estamos vivendo um ponto de transição. O que é a linguagem do rock? O que é popular? O que nos faz sentido e o que não faz? Eu estou sentindo que, agora, essa linguagem do rock está voltando com um pouquinho mais de presença. Eu vejo nos shows da Legião um público muito jovem, se manifestando nas primeiras fileiras. Isso é incrível. Uma renovação de público.
JC: Qual a sua visão das bandas de rock hoje?
Dado Villa-Lobos: Eu não conheço muito a cena do rock atual. Com certeza existe, mas as pessoas estão em casa, nas suas garagens, e ainda devem sair. As coisas vão acontecendo e, aos poucos, vejo que existe a busca de uma linguagem própria, meio que misturada com uma coisa mais retrô dos anos 70, 80. O que a rapaziada está buscando é interessante. Eu acho que uma nova cena (do rock) ainda não existe e, na minha intuição, é algo que vai vir com força.
JC: Qual a principal mensagem que a Legião quer passar com esse retorno?
Dado Villa-Lobos: A grande mensagem está nas canções, que realmente faz o espetáculo acontecer. Estão nas músicas e melodias a Legião Urbana, está ali o Renato com a gente em cada sílaba, em cada nota e em cada compasso. A gente continua sendo a Legião de 30 anos atrás: acredita no seu sonho, acredita na canção. Acho que a mensagem é essa: uma comunhão em volta dessas músicas, uma grande festa, uma grande celebração.
JC: Há chance de a Legião continuar?
Dado Villa-Lobos: Na verdade, não. A nossa ideai é encerrar o projeto no dia 31 de dezembro desse ano. Se surgir um convite pontual, no ano que vem, a gente pode até fazer, mas não existe a possibilidade, com a Legião, de fazer trabalho novo.
JC: Por que as músicas da Legião são tão atuais?
Dado Villa-Lobos: É incrível. Porque ainda traz aquela coisa da melancolia e rebeldia sobre a vida das pessoas, numa linguagem universal, com melodias e canções incríveis. Isso continua muito atual, não acaba nunca. Tem também todo um estilo nosso brasileiro. Em algum momento, alguém se identifica com uma canção e algo se transforma na vida dessa pessoa.
JC: Como você define o Renato Russo na Legião?
Dado Villa-Lobos: Um grande artista, um grande intérprete, um grande compositor. Um cara musicalmente completo, dentro da linguagem do rock. Ele foi para o pop, gravou um disco italiano e vendeu 1 milhão de cópias. Um cara que mexia com seus próprios desafios, mexia com as pessoas. Tinha uma capacidade de traduzir, em letras de músicas, a essência da vida. Por exemplo, Faroeste Caboclo, que é uma música que fala do Brasil rural, do Brasil urbano, continua atual até hoje. Um cara de uma universalidade incrível, um catalizador de energias.
JC: O André Frateschi representa bem o Renato?
Dado Villa-Lobos: Quando ele era um menino de 10 anos, estava sempre no camarim da banda, antes mesmo de a gente lançar o disco. Hoje, 31 anos depois, ele está no palco cantando as músicas. Ele é um grande intérprete, um grande cantor, um grande artista. Não está na Legião à toa. Ele faz essas canções acontecerem junto do público. É algo fabuloso.
Serviço
Legião Urbana: hoje, 23h30, na Sagae (rua Quatro, 4-25, Jardim Santos Dumont). Abertura dos portões às 22h. Ingressos: pista e vips esgotados. Camarotes custam R$ 160,00. Pontos de venda: Lojas Roth e Flipper Lanches. Site oficial: https://www.bilheteriadigital.com