09 de julho de 2026
Articulistas

Em defesa do segundo turno

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A eleição municipal em Bauru, assim como na maioria dos municípios, chega a apenas duas semanas da realização do primeiro turno como um prato frio, mal servido, uma espécie de mexidão para o eleitor. Em suma, algo difícil de digerir.


E são várias as razões, algumas esperadas, para que o “clima” da disputa eleitoral esteja distante do eleitorado. E, também e exatamente por isso, saio em defesa da necessidade de realização do segundo turno em Bauru.


A despeito dos críticos do processo eleitoral, do ponto de vida da compreensão do compromisso com a cidade, e a cidadania, reputo fundamental que Bauru tenha, ao menos, oportunidade de discutir algo real para os problemas e o futuro da cidade pelos próximos quatro anos.


A eleição chega a 15 dias do eleitor comparecer às urnas no primeiro turno sem que a maior parte do público saiba, sequer, quem são os partidos que compõem as alianças. E, convenhamos, a maior parte do público não conhece o que os candidatos querem, de fato, fazer.  


E isso, em boa parte, é culpa das próprias candidaturas. Fora o desfile esperado de clips de emoção e as longas falas elencando o igualmente desgatado “eu vou fazer”..., o eleitor não teve tempo de absorver, de se integrar minimamente ao processo.   

A quem interessa um processo eleitoral de tiro curto, já recortado pela ridícula regra da “janela” que permitiu que filiados trocassem de legenda em busca da estratégia de ocasião?


Somente o segundo turno poderá minimizar o abismo entre o que estão prometendo os candidatos ao Poder Executivo e a realidade orçamentária, estrutural e sócio-política da cidade.


Somente o segundo turno será capaz, ao menos, de oferecer ao eleitor o confronto entre duas das candidaturas mais bem posicionadas a partir dessa etapa. Não é razoável, nem saudável para a cidade e nem para os políticos de plantão, que o bauruense seja convidado a conhecer seu próximo governante sem ter a oportunidade de refletir com o mínimo de profundidade sobre o que estão dizendo as candidaturas.


O confronto de ideais em torno de dois nomes e agrupamentos, por mais quatro semanas em outubro, pode receber crítica do bauruense desgastado com os políticos e a política. Mas, mesmo para esses, apelo, com respeito, para defender que o segundo turno eleitoral poderá não lhe trazer alegria, mas poderá, ainda assim, ser bem menos pior do que mergulhar na retórica do cheque em branco da corrida eleitoral.


Há muitos interesses em curso. Eu prefiro pensar nos de natureza pública, da cidade que me acolheu!


O autor é compositor e jornalista