| JC Imagens |
| Raul (PV) |
| Renato Purini (PMDB) |
| Gazzetta (PSD) |
| Henrique Almirates (PRB) |
| Maria Flor (PSOL) |
| Osmar Brito (PCO) |
Consultas nos postos de Saúde dos bairros? Filas. Atendimento pediátrico 24 horas? Horas esperando no Pronto Atendimento Infantil, única unidade pública de Bauru a oferecer este serviço.
A expansão do Programa Saúde da Família (PSF) ficou muito aquém do que fora planejado pela atual gestão. Apesar da bem-sucedida descentralização da rede de urgência nos últimos anos, a inauguração de quatro UPAs reforçou a lógica que privilegia o tratamento à doença em detrimento da promoção de saúde.
A insuficiência de recursos, aliada à proximidade do limite fiscal de gastos com salários, inviabiliza a contratação de mais servidores e a ampliação do quadro médico da prefeitura.
A Fundação Regional de Saúde demonstrou, inicialmente, ser uma alternativa para o segundo problema. Recentemente, porém, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) bateu o martelo: o dinheiro gasto com plantões deve ser contabilizado como despesas com pessoal.
De responsabilidade do governo do Estado, os exames e consultas especializados registram filas que duram até anos. Do mesmo modo, pacientes ainda esperam dias – e às vezes morrem – em unidades municipais aguardando leitos hospitalares.
Diante de problemas tão complexos e de necessidades tão imediatas, a Saúde se coloca como um dos maiores e mais difíceis desafios para os próximos gestores de Bauru.
Já para este ano, a pasta precisa cortar mais de R$ 7 milhões em despesas para não fechar no vermelho. A expectativa para 2017 é ainda pior.
Diante deste cenário, os seis candidatos que disputam a prefeitura apresentam suas ideias e propostas para a Saúde na primeira publicação da série Agenda Bauru, que abordará seis temas e trará também um caderno especial sobre Desenvolvimento nos próximos dias, na reta final da corrida eleitoral.
Raul (PV)
Médico, Raul pretende demonstrar tecnicamente ao Estado a necessidade de ampliação do número de leitos e planeja assumir, via Fundação de Saúde, a gestão de serviços cuja responsabilidades não são de atribuição do município.
Um deles é o gerenciamento do Hospital de Base (com o dinheiro que hoje é destinado à Famesp), associado à construção de 120 leitos anexos ao Pronto-Socorro. “Não custaria caro e resolveria 90% do gargalo”.
Esses leitos, segundo o candidato, seriam credenciados junto ao SUS para que o município possa receber recursos para financiá-los. Com o mesmo raciocínio, Raul espera transformar o prédio onde funciona hoje o Departamento Regional de Saúde, do Estado, em um ambulatório de especialidades e centro de diagnóstico do município.
“Emprestamos R$ 38 milhões para fazer asfalto. Por que não emprestar R$ 6 milhões para comprar equipamentos? E não precisa de muita mão de obra cara para isso. É necessário um médico para fazer os laudos”, explica.
O candidato espera aumentar, assim, a resolutividade da rede básica, para a qual pretende criar novas regras de atendimento com o intuito de desafogar a rede de urgência.
Raul defende gestão política para reverter o entendimento do TCE sobre a Fundação e aposta nela para a contratação de médicos pelo município. Segundo ele, a lógica de plantões – em vez de jornadas regulares – é mais atrativa para os profissionais e reduz o volume de encargos para o poder público.
Diante do crescimento da população com mais de 60 anos, o candidato propõe que, após a reforma prometida pelo Estado, o Manoel de Abreu passe a ser o Hospital do Idoso. Ele defende ainda a criação de uma Unidade de Cuidados Prolongados.
Renato Purini (PMDB)
Candidato do governo, Renato Purini propõe a construção de mais uma UPA – a quinta da cidade - para atender à população das regiões do Jaraguá e Nova Esperança. Hoje, essa demanda é absorvida na Bela Vista.
Ao alegar que o principal problema da Saúde de Bauru é a falta de leitos hospitalares, ele afirma que cobrará com mais veemência junto ao Estado e à Famesp a ampliação dos serviços de média e alta complexidade.
Por outro lado, sugere a construção de um anexo ao Pronto-Socorro para a pré-internação, onde os pacientes que aguardam a liberação dos leitos possam ser assistidos.
Purini defende ainda que o hospital Manoel de Abreu seja gerido pelo município depois que o Estado concluir a reforma, da qual sequer o projeto está pronto, apesar de a unidade ter sido fechada em abril. Sua ideia é receber os recursos hoje repassados à Famesp para priorizar os pacientes da cidade, que assumiria a regulação dessas vagas por meio da Fundação de Saúde.
O candidato aponta a entidade como instrumento também para ampliar o PSF e contratar exames e médicos especialistas.
“A Saúde da Família tem funcionado muito bem, especialmente em áreas de extrema vulnerabilidade. Para expandirmos, precisamos convencer o Tribunal de Contas de que a fundação foi criada para sanar esse e outros gargalos. O entendimento de que esses gastos devem ser contabilizados nas despesas com pessoal precisa ser derrubado”, argumenta.
Renato Purini também quer agendamento de consultas pelo telefone e pela internet, além da implantação do programa “Sim” (Saúde Integrada da Mulher).
Gazzetta (PMDB)
Gazzetta defende a descentralização da saúde em quatro macrorregiões com gestão autônomas para que seja possível traçar o perfil epidemiológico de cada uma delas e, a partir disso, promover políticas públicas compatíveis com as demandas dos bairros.
O candidato afirma que priorizará a atenção básica, cujos atendimentos custam menos do que na rede de urgência, promovendo, então, remanejamento na aplicação dos recursos para promover mais saúde para ter que cuidar menos da doença.
“Nossos maiores investimentos estarão nas unidades básicas e nos exames complementares. Hoje, 60% da população não passa pelos postos e vai direto para a UPA”.
Segundo Gazzetta, para especialidades como cardiologia, oftalmologia e ortopedia, o município oferecerá, por meio da Fundação de Saúde, exames e parte do tratamento. “Hoje, as pessoas saem de uma fila e entram em outra, na do AME. Queremos interromper esse ciclo”.
O candidato do PSD diz que, em cada uma das quatro macrorregiões de Saúde, haverá uma unidade básica especial para funcionar até as 22h30.
Segundo Gazzetta, haverá também farmácias públicas nessas regionais, com entrega de medicamentos em casa para pacientes que dependam de uso contínuo de remédios.
O ambientalista pontua ainda que tentará, junto ao Estado, repactuar o número de leitos hospitalares na cidade, mas que não fugirá do problema. Ele propõe a criação de um hospital de pequeno porte gerido pela prefeitura. “São Carlos tem um, que custa R$ 1,1 milhão por mês. A título de comparação, é o valor gasto com a UPA Bela Vista. De quatro pessoas que buscam internação, três poderiam ser atendidas ali”.
Henrique Almirates (PRB)
Henrique Almirates alega que seu programa para a Saúde será dividida em duas partes. A execução da primeira, segundo ele, sairá do papel nas primeiras 10 semanas de seu governo.
O candidato diz que, neste período, vai consertar tudo o que não funciona, citando como exemplos os problemas de estrutura das unidades, consertos de equipamentos e revisão de questões logísticas e operacionais.
“É muito triste perceber o lixo na frente dos postos. Falta papel higiênico, esparadrapo e até cadeira. Descargas dos banheiros estão quebradas. Se o básico não está legal, temos que atacar de imediato”.
Logo em seguida, Almirates afirma que vai informatizar a rede e focar na melhoria da saúde básica, ampliando convênios junto a entidades.
“Desse jeito, a gente evita complicações que podem exigir procedimentos cirúrgicos, mais caros. A gente vê planos de saúde populares a custo de R$ 28,00 mensais. Se isso tem resolvido a demanda de parte da população, por que o governo não consegue atender as pessoas? O que não adianta é ficar abrindo UPA para faltar médico”, alega.
Sobre o déficit de leitos hospitalares, Almirates pontua que vai liderar movimento suprapartidário de prefeitos da região para discutir o problema tecnicamente junto ao governo do Estado.
Contrário ao entendimento do Tribunal de Contas sobre a Fundação de Saúde, ele observa que o município já faz grande esforço de caixa, mas não consegue solucionar os gargalos. Por isso, aposta em mudanças na forma de gestão. “O modelo de oito anos não deu o retorno esperado. Precisamos de outras pessoas com outras cabeças”.
Maria Flor Di Flora (PSOL)
Maria Flor diz que, caso eleita, extinguirá a terceirização de serviços de Saúde, como ocorre, com o PSF, por exemplo, executado pela Sorri-Bauru. Ela afirma, aliás, que o programa do PSOL prevê a expansão deste programa a todos os bairros da cidade.
“Desde o Distrito Industrial até o Estoril. Isso nos levará a gastar menos com remédio e a demanda com alta complexidade será menor. O PSF gera uma série de dados para o município, que nortearão a criação de políticas públicas regionalizadas. Vamos fomentar a ciência da prevenção”.
A candidata defende a reestatização dos hospitais estaduais – hoje geridos pela Famesp – para posterior gerenciamento pelo município. “Do jeito que está, não atende as nossas necessidades. Queremos criar um fundo para gerir essas unidades”.
Flor defende a criação da carreira do médico generalista para a rede municipal e a contratação de outros profissionais da saúde para oferecer o atendimento multidisciplinar.
“Precisamos estimular as medidas profiláticas. Enfermeiros e fisioterapeutas, por exemplo, podem orientar as famílias de crianças com doenças crônicas, como bronquite, que, hoje vão parar nos hospital. Não precisa sobrecarregar a demanda em cima da figura do médico”, frisa a candidata.
Osmar Brito (PCO)
O candidato Osmar Brito aponta a necessidade de organização de conselhos populares para que a população discuta os pontos críticos da rede de atenção básica.
Ele afirma que o espaço físico das UPAs é inadequada e precisa de intervenções, mas observa que essas demandas vão de encontro às intenções do governo Michel Temer e as políticas de corte de gastos públicos proposta pelo presidente.
Osmar defende que a Prefeitura de Bauru construa um hospital municipal, por meio de verbas junto à União, para, posteriormente exigir que o governo do Estado incorpore a estrutura.
O candidato ressalta ainda a necessidade de destinar mais verbas para a saúde mensal e da população idosa.