11 de julho de 2026
Polícia

Onda de violência assusta região onde pai e filho foram alvejados

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr
Apreendida ontem, Belina tem características semelhantes à usada em tentativa de roubo no sábado

Quem não foi assaltado ou furtado, conhece alguém que foi. É o que afirmam moradores da região da Vila Independência, que estão preocupados com a recente onda de crimes registrados em diversos bairros da região oeste de Bauru. 

No mais recente deles, pai e filho foram baleados em frente à residência em que vivem, em tentativa frustrada de roubo na Vila Maria (leia mais ao lado). Irmão e tio das vítimas, Eduardo Pedroso, 46 anos, conta que soube de pelo menos outros quatro assaltos registrados no bairro na última semana. 

“E pode ser que sejam as mesmas pessoas. Nestes últimos dias, levaram moto e celular de um rapaz que estava em frente a um estabelecimento comercial, que já tinha sido assaltado dias antes. Também entraram na casa de uma moradora. Está todo mundo assustado”, pontua.

A Polícia Militar, contudo, acredita que a alta de casos nos últimos meses já esteja solucionada, após a prisão de diversos suspeitos. “Eles integram grupos de criminosos que cometem delitos reiteradamente. Por isso, quando são detidos, o número de casos tende a cair”, pontua o capitão Rodrigo de Ângelo, comandante da 3.ª Companhia da PM de Bauru.
Eduardo conta que seu irmão, André Luiz Pedroso Rodrigues Dias, 43 anos, vítima da tentativa de assalto registrada na noite do último sábado, já havia sido roubado em maio, também em frente de casa. “Chegaram duas pessoas em um Ômega e levaram um cordão de ouro que valia R$ 20 mil, além de celular e a carteira de um amigo dele. E também fizeram disparos, mas ninguém ficou ferido”, relembra, salientando que a família ainda não sabe se os criminosos são os mesmos, visto que estavam com os rostos cobertos.

Além destas duas ocorrências, o primeiro caso de roubo a vítima que usava o aparelho celular para caçar Pokémon foi registrado na região, mais precisamente no Jardim Gaivota, no início deste mês. Na noite da última quinta-feira, um veículo foi roubado na Vila Nipônica e usado durante um assalto a uma relojoaria em Barra Bonita, no dia seguinte. Os suspeitos de envolvimento com o crime, um jovem e dois adolescentes, foram detidos.

Em série

O capitão Ângelo ressalta que outros três adolescentes, de 14, 15 e 17 anos, também foram apreendidos em 3 de setembro, após roubarem o motorista de uma empresa de circular daquela área da cidade. Na ocasião, eles foram reconhecidos por vítimas de assaltos a um posto de combustíveis da Castelo Branco, a uma peixaria, uma padaria e uma lanchonete das imediações. 

Comerciante instalado há mais de cinco anos nas imediações da Castelo, Johnes Istvandic, 32 anos, conta que sua loja de móveis foi assaltada duas vezes no mês passado. “Foi o mesmo rapaz, que acabamos conseguindo impedir que fugisse na segunda vez. Chamamos a polícia e ele foi preso. Certamente, isso é resultado de uso de droga. O cara era morador da região e roubava para manter o vício”, observa.

Segundo Istvandic, uma lanchonete e uma loja de embalagens e materiais plásticos localizadas nas imediações também foram roubadas ou furtadas recentemente. “É um caso seguido do outro. Levam dinheiro, mercadorias, botijão de gás. Há duas semanas entraram na casa de um senhor aqui perto. Antigamente, a gente nem ouvia falar disso. Agora, é direto”, reclama.

Belina possivelmente utilizada em assalto é encontrada abandonada

A Belina possivelmente utilizada na tentativa de assalto registrada no último sábado na Vila Maria foi localizada ontem pela Polícia Militar, que recebeu denúncia anônima sobre um veículo abandonado na quadra 30 da rua Bernardino de Campos.

Segundo o capitão Rodrigo de Ângelo, o fato de haver um adesivo de campanha política no vidro traseiro e de a porta do motorista estar quebrada são indícios de que se trata do mesmo carro. “Nas imagens filmadas por câmeras de monitoramento, os dois criminosos entram pela porta do passageiro para fugirem depois do roubo, o que indica que não era possível abrir a porta do motorista”, observa.

O delegado Marcelo Firmino, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), afirma que a localização do veículo deverá contribuir para a apuração que busca identificar os autores do crime. “A Belina está registrada em nome de uma pessoa que vendeu o bem há algum tempo e que não estaria envolvida com o crime. Mas estamos tentando localizá-la”, resume, salientando que a principal hipótese considerada é de que pai e filho, de fato, foram vítimas de uma tentativa de assalto. “Outras possibilidades, contudo, ainda não estão descartadas”, completa. 

‘Moro em uma prisão’, diz aposentada

Moradora da quadra 3 da rua Riachuelo, na Vila Independência, Ilma Damasceno Guedes, 55 anos, conta que a casa de sua vizinha também foi furtada meses atrás. “O prejuízo foi grande. E a gente fica em uma situação difícil”, lamenta a mulher. 

Também do bairro, uma aposentada de 73 anos que preferiu manter o anonimato diz que o temor no bairro aumenta durante as saídas temporárias de presos ao longo do ano. Como forma de se proteger, ela diz que reforçou a segurança de sua residência e que conta com a vigilância solidária da vizinhança.

“Hoje, eu moro em uma verdadeira prisão, toda fechada. E estamos sempre de olho quando tem alguma movimentação diferente. O bairro tem muitos moradores idosos, mais vulneráveis, então a gente fica com medo do que pode acontecer com eles”, comenta.

Direcionamento

Comandante da 3.ª Companhia da PM de Bauru, o capitão Rodrigo de Ângelo destaca que, devido à frequência com que roubos e furtos vinham sendo registrados, o patrulhamento já foi reforçado na região oeste da cidade. “Mas reitero que vários grupos já foram presos. Através do trabalho de acompanhamento das ocorrências, que fazemos permanentemente, temos condições de direcionar o policiamento para evitar novos crimes”, frisa, destacando que as “ondas” de roubos são cíclicas e, na área da Vila Independência, a tendência é de que a incidência de casos comece a diminuir.

Portas fechadas

A criminalidade na região oeste de Bauru não preocupa moradores apenas nos últimos meses. Em fevereiro, o JC noticiou ao menos três ocorrências de roubo em bairros próximos. No mais grave deles, um homem de 82 anos morreu ao ser golpeado com socos e pontapés por dois bandidos que invadiram sua residência, na região do Jardim Ouro Verde. O caso foi registrado em 4 de fevereiro e a vítima, Paulo Gabriel da Silva, morreu cerca de 20 dias depois, em consequência das lesões sofridas. Sua esposa, de 62 anos, teve um dos joelhos quebrados e passou por cirurgia, na ocasião. Em setembro do ano passado, o proprietário de um posto de combustíveis localizado na rua Felicíssimo Antonio Pereira decidiu fechar as portas após ser agredido por assaltantes. Traumatizado, o homem, de 36 anos, preferiu não se identificar. “O posto foi aberto em 1997 e perdemos as contas da quantidade de vezes que fomos roubados ou furtados. Calculo 20 ou 30. Mas, na última, eu e mais dois funcionários fomos muito agredidos fisicamente e decidi que não queria mais correr esse risco”, aponta.