08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reforma da Previdência

Katia Turato
| Tempo de leitura: 2 min

O envelhecimento populacional mundial tem aumentado consideravelmente nos últimos anos e gerado uma série de discussões em torno dos impactos sociais sobre as políticas públicas. A Previdência Social dentre elas tem se pautado e sido bandeira política em quase todos os governos em relação aos aspectos do envelhecimento populacional, porém sem uma real análise geoeconômica social e cultural em suas análises técnicas dos fatores que envolvem o binômio envelhecimento X longevidade.


As discussões recentes sobre a Reforma da Previdências precisam ser amplamente discutidas por toda sociedade não levando em conta somente as questões econômicas e políticas, mas sim o conjunto das expressões da questão social que se configuram nas diversas problemáticas sociais e tendo como ponto fundamental a pauperização das massas trabalhadoras resultado do processo de acumulação do capital na sociedade brasileira, agravada por suas constantes crises econômicas, polícias e éticas.


Inicialmente, para conhecer este contexto é preciso entender a diferença entre o que é o aumento da longevidade e o envelhecimento populacional. A longevidade refere-se ao número de anos que, em média, as pessoas de uma mesma geração ou corte viverão, e o envelhecimento populacional refere-se à mudança na estrutura etária da população, isto é, ao incremento do peso relativo das pessoas acima de determinada idade, considerada como marco para o início da velhice. De acordo com Camarano (2002), no Brasil, a preocupação com os aspectos demográficos do envelhecimento de sua população é relativamente recente.


Diante destes norteadores, evidenciamos uma proposta de reforma do governo federal fazendo projeções matemáticas e fiscais que envolvem menos contribuintes, mais beneficiários e benefícios de duração maior devido ao aumento da expectativa de vida e deixando de lado as abordagens estruturais do próprio sistema previdenciário brasileiro, suas arrecadações e os critérios para outros benéficos vinculados à previdência, como pensões e outros benefícios, que já haviam sido discutidos e não prosperaram, como o caso das pensões para mulheres mais jovens. E realmente não prosperaram pela própria dificuldade de estudo complexo de uma sociedade diversificada em suas relações de trabalho e de vínculos sociais e familiares.


Conforme cita o economista Guilherme Costa Delgado, que coordenou a área previdenciária do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e integrou o Conselho Nacional de Previdência Social, “a reforma da Previdência não pode se limitar à fiscal, deve caminhar junto com uma reforma ética. Acreditamos que novas fontes devem ser buscadas a fim de garantir direitos e que sejam revistas outras propostas mais abrangentes quanto às regras de benefícios previdenciários no Brasil, uma vez que o brasileiro é o cidadão que mais paga impostos e o que recebe os piores serviços públicos em troca”. (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, 2010).