No dia 21 de julho, me disseram que o céu estava em festa. Mas só entendi que o dia amanheceu triste. O João já não estava aqui. Partiu cedo. Não por ser madrugada. Cedo na vida. Sem tempo para nada. Nem para nos prepararmos. Rápido e confiante.
Confiante como na infância quando o via passar alegre, rodeado de amigos, sempre brincando. Confiante como o vi lutando pela vida, até realizar o transplante de fígado por hepatite C. Confiança essa, que após tantos desafios vitoriosos, sentiu necessidade de fundar o Grupo Otimismo – Grupo de Apoio aos Portadores de Hepatite B e C de Bauru, e, com essa iniciativa recebia em nossa casa portadores e familiares, distribuía panfletos informativos na Batista de Carvalho, fazia palestras em escolas e faculdades, trabalho voltado à divulgação, informação e atenção a hepatite e a pacientes em fila de espera para transplante. Depois, a Associação dos Diabéticos de Bauru, cedeu gentilmente o prédio para reunião semanal, aberta ao público.
Confiante, esse linense chegou a Bauru e se converteu a noroestino fanático fazendo parte da Torcida Organizada Sangue Rubro, depois, da diretoria e lá ,junto de amigos fundaram a Associação Avante Rubro. E trabalhava ativamente sempre voltado para o bem e continuidade do Noroeste. E vestiu a camisa. Literalmente. E, confiante, como espírita convicto que sempre foi, dizia com orgulho ter nascido num “berço espírita”- sentiu necessidade de um centro espírita na zona leste de Bauru, e durante anos reuniu amigos para estudar a doutrina em nossa casa, o que se estendeu aos que o procuravam, e o grupo foi crescendo e ele fundou no Mary Dota o Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo.
Sempre confiante, com fé raciocinada, nunca deixou de sorrir e confiar – sua marca registrada – não admitia que dissesse que o que ele fazia era caridade, e que apenas agradecia o muito que recebia da vida – e dizia ter muito- e já ser beneficiado tendo a vida prorrogada, o que era um “presente de Deus”. E amava a família, sempre amigo e companheiro. Foi com ele, João Carlos Amâncio Franco, que me casei e tivemos o maior presente, nosso filho Pietro.
Hoje quero agradecer a Deus pela vida. Ao João e ao Pietro por compartilharem essa vida comigo, pelas alegrias, pelo aprendizado; aos familiares e amigos pela presença, pelas orações, e, sobretudo, agradecer a Jesus, pelos ensinamentos que nos trouxe e que possamos permitir que Ele, Nosso Mestre Maior, esteja sempre em nossos corações.