09 de julho de 2026
Geral

Piquenique ganha versão gourmet


| Tempo de leitura: 4 min

Estadão Conteúdo
A produtora cultural Giovana Menniti comemorou o aniversário do marido, o publicitário Gustavo, com um piquenique

Gourmetizaram o piquenique ou simplificaram a festa? Na manhã de um sábado, a Praça Barão Pinto Lima, em Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, teve toalhas charmosas no chão, comes e bebes, alegria. Mas não era um piquenique convencional, desses que o participante bota tudo numa cestinha e vai para o parque. “Como era para comemorar o aniversário do meu marido (o publicitário Gustavo, que fez 34 anos), achei que valia a pena algo especial”, conta a produtora cultural Giovana Menniti, de 32 anos. Isso significa que o convescote teve hora para começar e hora para acabar (4 horas), havia funcionários montando tudo antes e desmontando tudo depois - um deles de prontidão para ajudar a recolher o lixo durante a festa -, e um pequeno e descolado mobiliário. Um pacote que custa cerca de R$ 2,1 mil.

É um mercado que nasce e cresce em diversas cidades do País – como em Bauru - de carona no fato de que as pessoas têm cada vez mais desfrutado dos espaços públicos - um movimento consolidado com a abertura de vias para pedestres aos fins de semana, com ciclovias por toda a parte e a própria noção de “pertencimento”, como dizem os especialistas, sendo revigorada. A velha tradição de comer e beber ao ar livre, rodeado por amigos, está sendo recuperada.
Na Capital, a empresa que organizou a festa de sábado, acabou de ser fundada por dois arquitetos paulistanos e uma advogada carioca. De olho em quem gosta da ideia, mas não tem tempo ou vontade de organizar todo o ritual, eles oferecem pacotes conforme a necessidade do cliente.
Há desde mobiliários específicos - pequenas cadeiras de madeira - até toalhas, cestas e caixas de isopor. “Também viabilizamos comidas e bebidas, por meio de parceiros”, conta uma das sócias, a arquiteta Harissa Bittar. “Se o cliente quiser, providenciamos até garçom.”
Há ainda um outro serviço oferecido “de brinde” pelo pacote: monitorar a previsão do tempo. Afinal, se o clima não cooperar, infelizmente, a solução é adiar o convescote.
Para evitar problemas, eles também auxiliam a viabilizar autorização da administração do parque. “A lei diz que só é preciso autorização para eventos com mais de 200 pessoas”, diz Harissa. “Mesmo assim, nos precavemos.”
Ao fim de cada evento, o compromisso ecológico. “Também fazemos o plantio de uma muda de árvore ou arbusto nativo com o nome do aniversariante, no local do evento ou em outro próximo”, conta Harissa.

Piquenique espontâneo não perde a vez

Claro que o velho piquenique espontâneo não perde a vez. Uma cesta charmosa, toalha xadrez, pães, bolos... O café da manhã da antropóloga e escritora Deborah Goldemberg,  41 anos, tem sido assim sempre que dá. Com sua filha Pauline, de 5 anos, e amigos. “Faço piquenique quase todo fim de semana”, disse Deborah. “E gosto de buscar lugares novos: uma praça que ainda não conheço, um parque diferente...”
Para os adeptos, a graça está nos detalhes: uma cesta bonita, uma toalha adequada, pratinhos e copos coloridos. “Acho uma delícia. Mas há um ritual, com os acessórios certos. É muito gostoso comer em contato com a natureza”, conta a restauradora e coaching Taluhama Counna, de 54 anos. Moradora da Aclimação, região central da cidade, ela geralmente faz convescotes no parque homônimo - com as três netas, respectivamente de 12, 3 e 1 ano, e amigos.

Para chef de cozinha, o ritual é importante

Entusiasta do tema, a chef de cozinha Heloisa Bacellar diz que há alguns segredos para um piquenique ideal. “A grande questão é tentar se programar ao máximo, para dar charme ao momento. Quem vai ao piquenique está querendo comer fora, fugir da rotina, trocar o teto pelo céu. Isso implica numa sensação de liberdade, muito gostosa e prazerosa”, filosofa.
Então, orienta ela, nada de “colocar tudo numa quentinha super sem graça e fazer um piquenique”. “Hoje em dia, em qualquer supermercado da esquina você encontra um guardanapo bonitinho, pratinhos fofos, copos coloridos. Com isso, o momento terá charme. Será divertido para crianças. Será romântico para adultos”, comenta ela. 
Também é preciso atenção às comidinhas. Em tese, qualquer coisa pode ser levada. Mas, conforme aconselha Heloisa, vale a pena pensar em porções pequenas, já divididas, para facilitar. “Em vez de um torta, é melhor levar várias minitortinhas”, exemplifica. “E fechar bem os potes todos. Nada mais chato do que aquela surpresa desagradável de abrir a cesta e ver que vazou tudo.”
Na Capital, já há lugares que comercializam kit pronto para piquenique . Em geral, vêm com duas taças, sacarrolhas, guardanapos e uma ecobag que se transforma na clássica toalha xadrez. Ah, sim, e os quitutes. É sucesso!