08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ENTRE A BIÓPSIA E A AUTÓPSIA NA EDUCAÇÃO

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos grandes temas recorrentes em campanhas eleitorais, ou em debates que visam a construção verdadeira de uma nação desenvolvida, está a educação. Muitos são os diagnósticos, dos quais são recheados de ignorância ou de visões ralas, superficiais ou, simplesmente, chavões repetidos exaustivamente por desconhecedores deste tão caro e fundamental tema. Invariavelmente, as conceituações revelam apenas uma visão de autópsia sobre a educação. As análises das razões do seu desmoronamento são verbalizadas por especialistas que constatam as obviedades de seu fracasso.

Poucos são capazes de fazer a biópsia correta, e sua evolução contínua rumo não à cura, mas à autopsia. Sim, o processo educacional Brasileiro caminha para sua completa extenuação. Insistimos na tese fracassada de confundirmos educação com domesticação onde a reprodução alienada e despossuída da análise crítica é forma de adestramento social, não buscamos uma educação que vise a autonomia do cidadão, nem sua emancipação libertária, mas insistimos num processo de desumanização valorativa.

Diferentemente das nações desenvolvidas que pontuam e agem com a Educação em um compromisso de Estado e desenvolvimento pátrio, no Brasil tratamos este tema fundamental como um tema menor, desonesto e de manipulação e manutenção ignorante de nossas misérias, e perpetuação de uma casta de privilegiados que dominam nossas riquezas.

Há uma estreita relação de causa e efeito em nossa miséria econômica, cultural, social com a educação que nos é ministrada, somos reféns do fracasso educacional que não compreende que valores como fraternidade, solidariedade, humanismo e senso crítico são alicerceares de uma nação desenvolvida e menos bestializada. Conjugar o conceito de emancipação na educação é fundamental, e essa ideia está correlata com o princípio de tornar o indivíduo livre, dono de seu destino. Este paradigma o torna independente, ou seja, não dependente e não refém das amarras de nosso subdesenvolvimento.

Romper com a adestramento prisional é fundamentar uma educação libertária, onde o professor seja um agente educador e transformador com seu devido valor remuneratório, em condições condignas de sua tarefa de coparticipação essencial no processo de formação de uma nova geração, que gere novos valores de uma sociedade soberana e livre. Compreender que a escola é uma das vias educacionais e que nós não nascemos prontos, que educação é muita mais amplo dentro de nossa existência, é tudo aquilo que nos molda socialmente, e que todas as instituições são corresponsáveis neste desafio é ter a biópsia correta do que devemos fazer.

Segundo Darcy Ribeiro, mestre da análise e da luta pela educação ponderou:  “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.  Tentei salvar os índios, não consegui.  Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

Até quando iremos estar do lado derrotado fazendo autópsia do Brasil?