09 de julho de 2026
Articulistas

É preciso entregar o que promete

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Se no contexto empresarial a credibilidade de uma organização está condicionada à entrega do produto ou serviço que prometeu e de qualidade, com os políticos isso não pode ser diferente. As campanhas se sucedem e observo atentamente as promessas dos candidatos, tanto a prefeito como a vereador e a constatação é que a conta não fecha ou que as promessas não serão cumpridas.


No âmbito da vereança, muitos candidatos se posicionam como se fossem candidatos a prefeito. Prometem obras e benefícios em áreas importantes da cidade, mas que não são atribuições do vereador, ou melhor, não há como entregar esta promessa à população. Em sua maioria sequer buscam os números que norteiam o orçamento municipal e “viajam” em questões que sabem que não irão conseguir cumprir. Fica mais evidenciado o distanciamento entre as promessas e aquilo que efetivamente irão entregar à população quando a análise é realizada em relação aos candidatos a prefeito.


Primeiramente, há que se considerar que as demandas são muitas e os recursos escassos. Assim, a capacidade de decidir e de fazer escolhas é que indicará quem será um bom prefeito ou não. Não que as coisas sejam excludentes entre si, mas há um enorme abismo entre as demandas e o dinheiro necessário para atendê-las, ainda mais se considerarmos os dois anos seguidos de recessão econômica. Além destes aspectos, há o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal, como por exemplo o gasto com pessoal.


Observem que há o que podemos denominar de “amarras” que impedem que algumas ou várias promessas sejam cumpridas. A expressão “serviço gratuito” tem sido muito utilizada pelos candidatos. Como dizem: não há “almoço de graça”, ou seja, a conta será paga pela população, quer com aumento de tributo, quer por remanejamento orçamentário. Naturalmente não queremos aqui dizer que o orçamento como está sendo executado não deve ser alterado, deve sim, defendo inclusive o chamado orçamento base zero, ou seja, construir o orçamento com base nas projeções, com base no futuro, e não reprodução do passado, mas os limites existem e é assim que devem ser analisados.


Serão quatro anos de mandato, tendo, no caso de Bauru, heranças nada desejadas tais como a dívida bilionária da Cohab, o déficit orçamentário da Emdurb, a falta de plano de longo prazo para o DAE, isso sem falar na gestão da saúde e os gargalos da infraestrutura da cidade no tocante a geração de riquezas e empregos, tendo ainda que contemplar melhoria dos indicadores sociais, entre outros. O olhar do eleitor, em meu entendimento, é na direção daqueles que efetivamente podem fazer a diferença, mas com planos e não promessas.


É possível sim acreditar em uma cidade mais harmônica e que ofereça qualidade de vida aos que aqui moram, mas também é preciso separar o exagero do possível. No próximo domingo estará em jogo mais do que a preferência pessoal sobre quem comandará a cidade, tanto no Executivo como Legislativo, estará em jogo o futuro de nossa cidade.

     

Considerando que somos hoje o que decidimos há quatro anos, é preciso projetar o que seremos nos próximos quatro anos. Para isso nosso voto tem que ser na direção do coletivo e não dos interesses pessoais. Fique do olho naquilo que está sendo prometido e o que efetivamente será entregue.


O autor é economista e articulista do JC