A produção da agricultura paulista aumentou 90,4% entre 1990 e 2012, registrando uma taxa de crescimento médio anual de 3,1%, de acordo com os dados mais recentes coletados em estudo da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Alguns dos fatores que contribuíram para esse aumento da produção do setor no período foram os investimentos em pesquisa na área de ciências agrárias feitos por instituições como a própria Fapesp, que permitiram elevar a produtividade das lavouras. Colaboraram para a alavancagem da produção também a expansão da mecanização e a concentração na produção de commodities, como a cana-de-açúcar e a laranja. As informações foram divulgadas esta semana pela Agência Fapesp em matéria assinada por Elton Alisson e José Tadeu Arantes. A pesquisadora Maria Auxiliadora de Carvalho, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), uma das autoras do levantamento, diz que a agricultura paulista é mais eficiente do que a do resto do país, "na qual menos trabalhadores produzem mais valor". Participando com 11,7% no total de áreas plantadas das lavouras no Brasil, o Estado de São Paulo contribuiu com 18% do valor total da produção agrícola do país no triênio de 2010 a 2012. "Isso evidencia a alta produtividade da agropecuária paulista", afirma.
Líder em nove culturas
O Estado de São Paulo é o principal produtor nacional de cana-de-açúcar e laranja, contribuindo, respectivamente, com 58% e 76,2% da produção brasileira dessas duas commodities agrícolas. A liderança paulista, contudo, não se limita a esses dois produtos, lembram os pesquisadores.
Dos 25 produtos mais importantes da agricultura paulista, São Paulo é o primeiro produtor nacional de nove deles - além da cana e da laranja, também de banana, tomate, borracha, limão, amendoim, tangerina e caqui.
Produtividade
Além de liderar nove culturas no ranking nacional, São Paulo é o segundo maior produtor brasileiro de pêssego, palmito e abacaxi e o terceiro maior na produção de café, uva, batata-inglesa e manga. "A especialização da agricultura paulista em alguns produtos agrícolas não foi tão prejudicial e exagerada como muitas pessoas imaginam e possibilitou que o setor aumentasse sua produtividade", avalia Paulo Cidade, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). "Esse aumento de produtividade só foi possível em razão de fatores como investimentos públicos no setor e, principalmente, a pesquisa, inovação tecnológica, extensão rural e a qualificação dos recursos humanos".
Concentração
Segundo os pesquisadores da Fapesp, uma característica peculiar da agricultura paulista é a alta concentração de atividades. Apenas 25 produtos responderam por 99,2% do valor da produção agrícola paulista entre 2010 e 2012. A cana-de-açúcar contribuiu com 59,3%, seguida pela laranja, com 12,6% de participação, o que significa que esses dois produtos responderam por mais de 70% do valor da produção agrícola paulista no triênio de 2010 a 2012. Uma ponderação é que as estatísticas abrangeram apenas as grandes lavouras e não consideraram a floricultura, horticultura e algumas frutíferas, culturas relevantes nas proximidades das maiores cidades, o tornaria menor o grau de concentração.
Redução de trabalhadores
Uma das constatações da análise é a de que o número de estabelecimentos rurais no Estado diminuiu cerca de 30% entre o Censo Agropecuário de 1970 e o de 2006, passando de 327 mil para 228 mil unidades. No período, a área média das propriedades rurais em São Paulo subiu de 62,5 para 74,5 hectares, indicando tendência de concentração da propriedade da terra. Tal transformação foi acompanhada pela redução do pessoal ocupado. A população rural paulista, que era de 4,8 milhões em 1960, caiu para cerca de 1,7 milhão em 2010. O número de tratores, que era de 67 mil em 1970, chegou a 170 mil no censo de 1995-96 e caiu para 145 mil em 2006.
Urbanização
"Em um contexto social mais amplo, a diminuição do número de trabalhadores na agricultura inseriu-se no processo de deslocamento da população de origem rural para os centros urbanos", analisa Maria Auxiliadora. A redução do pessoal ocupado, porém, não teve reflexo negativo sobre a produção e a produtividade. "Trata-se de uma tendência considerada normal nas regiões desenvolvidas, nas quais menos pessoas produzem mais, devido ao aporte de tecnologia".
Renda per capita
Os ganhos de produtividade do setor e o declínio da população rural paulista em São Paulo foram acompanhados pelo crescimento da renda per capita rural nos últimos anos. No triênio de 1995 a 1997, por exemplo, a renda per capita rural paulista, bem como a brasileira, equivalia a 21% da urbana. Já no triênio de 2000 a 2002, a renda per capita rural em São Paulo passou a equivaler a 42% da urbana, enquanto que a do Brasil era de 33%. Entre 2010 e 2012 essa diferença tornou-se ainda maior, uma vez que a renda per capita rural brasileira caiu para 31,4% da urbana, enquanto em São Paulo evoluiu para 53%.