09 de julho de 2026
Geral

Uso errado liga redes sociais a briga escolar

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Gina Sanchez, da DRE: “A história não acaba, pelo contrário. Outras pessoas tomam partido”
João Rosan/JC Imagem
Paulo Cesar Valentim, capitão da PM: situações entre jovens

Um boato lançado em alguma rede social é um “prato cheio” para que uma briga ultrapasse as barreiras que separam o mundo virtual do real. Tanto Polícia Militar quanto Diretoria Regional de Ensino em Bauru acreditam que as redes insuflam os conflitos entre adolescentes em escolas.

Para se ter uma ideia, de janeiro a agosto deste ano, a PM registrou 12 ocorrências do tipo na cidade, como revela o capitão Paulo Cesar Valentim, que é o oficial responsável por operações e estatísticas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I). Contudo, o número de casos pode ser ainda maior, já que nem todos precisam chegar ao conhecimento da polícia. “Normalmente, a desavença é resolvida dentro da própria escola, com a ajuda do professor-mediador”, acrescenta o capitão Valentim.

Segundo ele, esse tipo de ocorrência tem se tornado cada vez mais comum, principalmente, por conta do “boom” das redes sociais. “Elas transmitem informações ou, até mesmo, boatos, que atingem uma grande quantidade de pessoas em muito pouco tempo”, justifica.

Valentim defende que os desentendimentos que ocorrem nesses meios chegam à escola, onde os adolescentes acabam se encontrando. “Frequentemente, os jovens tiram satisfações uns com os outros, fato que pode levar à agressão física”, pontua. Dirigente regional de ensino de Bauru, Gina Sanchez diz que toda tecnologia tem seu lado positivo e negativo. “Na maioria das vezes, as discussões começam fora do ambiente escolar, mas os adolescentes os levam até a escola, que é um ponto de encontro”, acrescenta. Ainda segundo Gina, as redes sociais alastram discussões de forma rápida. “A história não acaba, pelo contrário. Outras pessoas tomam partido e a situação fica maior”, frisa.

Para evitar

Para coibir esse tipo de ocorrência, Gina destaca o papel do professor-mediador, que está presente em todas as escolas estaduais. “Ele atua na prevenção e na solução. Quando um professor percebe que algo está diferente, repassa à direção, que aciona o profissional. Quando a confusão já ocorreu, os alunos envolvidos e seus responsáveis são acionados, afinal, a base de tudo é o diálogo”, narra.

Para prevenir

Já o capitão Valentim afirma que a PM também ajuda a prevenir. “Temos a Ronda Escolar, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 23h30, momento em que alunos de escolas públicas e particulares estão em aula”, reforça.

Além disso, a polícia atua diretamente junto aos alunos, por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd). “Nesse curso, não tratamos apenas a questão das drogas. Falamos de atitudes a serem tomadas para se conviver em sociedade”, explica.

Perfil

O capitão Valentim estabelece um perfil dos adolescentes que brigam em escolas. Das 12 ocorrências do tipo registradas neste ano, todas se deram em escolas estaduais. Estas, por sua vez, se concentram nas regiões oeste, noroeste, sudeste, leste e norte de Bauru. Oito conflitos ocorreram entre meninas e o resto deles, entre os garotos.

Em caso recente, a briga começou pelo Facebook

Conforme o JC noticiou no último dia 21, uma adolescente de 15 anos agrediu outra de 13 na saída da escola, situada no Pousada da Esperança 2, em Bauru.

A vítima chegou a perder os sentidos por duas vezes, porque teve sua cabeça jogada contra uma parede. Conforme consta no boletim de ocorrência (BO), a confusão ocorreu em frente a uma escola estadual. Quando a PM chegou ao local, se deparou com a briga, cujas envolvidas não terão suas identidades divulgadas em respeito ao ECA.

Os militares apuraram que a desavença se deu porque a adolescente de 15 anos não gostou de um comentário que a vítima fez em uma postagem no Facebook. A garota chegou a desmaiar durante a briga.

Na época, a Secretaria de Educação do Estado, através da Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru, afirmou que a briga ocorreu fora do ambiente escolar, porém, a professora-mediadora interveio e deu toda assistência à menina agredida.

O órgão alegou também que os pais da aluna foram acionados pela direção escolar, que trabalha contra a violência. Já a agressora não era da escola.