Seria cômico se não fosse trágico, mas uma vez mais a campanha eleitoral brasileira se parece com um espetáculo de mau gosto. Ano após ano e tudo parece tristemente igual. Até os "personagens" são basicamente os mesmos, com mínimas variações e, em meio a tudo isso, os eleitores conscientes ficam sem opções. Isso em nada se limita a determinada legenda ou partido, inclusive. Acredito piamente que deveriam haver regras mais rígidas para a campanha eleitoral, um Código de Ética capaz de coibir a quantidade de besteiras e absurdos que agridem o bom senso. Parece-me que tudo se resume a chamar a atenção dos eleitores, pouco importando a que custo. Em uma espécie de vale-tudo pelo voto alheio, homens e mulheres se colocam em papéis ridículos, como se fossem macacos de auditório, na maior parte das vezes sem qualquer proposta política consistente.
Para além dos jargões de gosto duvidoso, ainda há aqueles que, tendo sido eleitos por várias vezes, ainda tem a desfaçatez de continuar prometendo aquilo que nunca cumpriram, tampouco se preocupando em justificar as razões pelas quais não o fizeram quando tinham a oportunidade para tanto. E o mais absurdo é que agem como se não tivessem qualquer responsabilidade sobre seus mandatos anteriores. Por certo há muita coisa que chega a ser engraçada na propaganda eleitoral, mas é como sal no café, ou seja, não é o momento para risadas.
As escolhas que fazemos, as pessoas que elegemos, para as quais damos nosso voto serão as responsáveis por muito do que irá ocorrer em nosso futuro e das demais pessoas que moram na mesma cidade, no mesmo Estado e no mesmo país.
É necessário que olhemos nosso voto como algo muito mais sério do que um mero desincumbir-se de uma obrigação, pois cada voto deve ser um voto de confiança, um pedaço de esperança que depositamos em pessoas que, entre erros e acertos, ao menos deveriam ter a consciência da responsabilidade que um cargo eletivo dessa monta representa. Infelizmente, embora haja quem seja bem-intencionado, parece-me que a maior parte dos candidatos apenas está preocupada com o salário que irá auferir e com todos os outros benefícios e vantagens que o cargo pode apresentar. Pouco tempo após as eleições e toda uma legião de parentes e amigos transformados em assessores, mesmo que não tenham qualquer qualificação, as promessas eleitorais parecem se reduzir a apenas meras e inconsequentes promessas.
Acredito sinceramente que os candidatos devessem ser obrigados a ter outra profissão ou ocupação, de forma a não buscarem na vida política um meio de vida, bem como que os cargos públicos, sejam eles quais forem, não deveriam dar direito a regalias como carros oficiais, auxílio isso e auxílio aquilo, não quando os vencimentos diretos ultrapassam dois dígitos. Da mesma forma, que a Campanha Eleitoral fosse séria e informativa tão somente, sem que fôssemos obrigados a presenciaresse lamentável show de horrores, palhaços tristes e desesperançosos do porvir.
Talvez, aí, quem sabe os candidatos sérios tenham vez e voz e o eleitor possa, de fato, ser capaz de fazer alguma escolha com base em elementos concretos. Fica aqui a minha esperança em dias melhores, em um Brasil melhor, amadurecido politicamente, para que possamos saber a hora certa de rir...
A autora é escritora, colaboradora de Opinião - cinthyanvs@gmail.com