| Malavolta Jr. |
| Com faixas e cartazes, alunos percorreram o Centro em protesto contra a reforma educacional |
Bauru amanheceu sob protestos de professores e estudantes nessa quarta-feira (5). Das 8h30 às 11h30, duas manifestações ocorreram. Apesar de distintas, ambas tinham em comum a revolta contra a reforma do Ensino Médio, proposta pelo presidente Michel Temer e pelo Ministério da Educação.
O primeiro movimento, encabeçado por estudantes de escolas públicas, tomou o Centro da cidade e causou lentidão no trânsito. Já o segundo foi organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), dentro das atividades, também em âmbito nacional, do “Dia Nacional de Luta Contra O Desmonte do Estado Brasileiro”.
ESTUDANTES
Com palavras de ordem contra o governo Temer, o movimento estudantil foi pacífico e durou cerca de três horas. A manifestação reuniu cerca de 600 estudantes de, ao menos, dez escolas de Bauru (principalmente das regiões Oeste e Noroeste), segundo a Polícia Militar (PM). Os alunos falam em até 1 mil participantes.
Após um ato de aproximadamente dez minutos em frente ao prédio da Diretoria Regional de Ensino (DRE), por volta das 8h30, eles seguiram em marcha até a Câmara Municipal. Cerca de uma hora após a chegada ao Legislativo, eles decidiram marchar pela avenida Rodrigues Alves até o cruzamento com a Nações Unidas para dar maior visibilidade ao movimento. Os dois sentidos da pista foram interditados nas quadras ocupadas pela marcha. Depois, regressaram.
De volta à Câmara, alguns participantes ocuparam a recepção do prédio. “As escolas não têm estrutura para receber o Ensino Técnico. Essa reforma é a reorganização mascarada, não aceitamos a retirada das disciplinas. Filosofia e sociologia fazem o aluno aprender a pensar. É quase uma ironia o governo tirar a educação física logo depois das Olimpíadas”, critica a aluna Tamires Mariane Marteline, 18 anos.
Ao final da manifestação, por volta das 11h, um boletim de ocorrência não criminal foi registrado pela PM. Várias pessoas foram arroladas no documento, já que o movimento não indicou representantes.
PROFESSORES
O segundo protesto ocorreu em frente à DRE. Segundo a Apeoesp, 200 professores participaram da manifestação. “O aluno deve sair da escola preparado para enfrentar um vestibular. É um absurdo o governo querer tirar matérias que ajudam no processo de formação e de humanização dos alunos”, pontua Idenilde Conceição, coordenadora da subsede regional da Apeoesp.
Ela acrescenta também que os profissionais temem pela demissão, caso a reforma seja implantada. “Apesar de representar o Estado e não o governo federal, a DRE é o prédio do órgão maior da educação. Queremos mostrar que estamos contra essa medida”. O protesto dos professores durou pouco mais de uma hora e terminou por volta das 11h30.
Ao JC, a imprensa regional da Presidência da República, que responde sobre eventos nacionais do presidente, informou que o governo respeita as manifestações e as considera democráticas, mas não se posiciona sobre o assunto.
MP 746/2016
A Medida Provisória (MP) proposta pelo governo federal nas últimas semanas aumenta a carga horária e flexibiliza a grade curricular.
As mudanças, no entanto, precisam ser aprovadas pelo Congresso. O texto propõe a redução do conteúdo obrigatório, tornando optativas as disciplinas de filosofia, sociologia e educação física.
Os currículos deverão abranger, obrigatoriamente, língua portuguesa, matemática, conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política. O estudo da arte e educação física passa a ser opcional. A língua inglesa também seria obrigatória.
‘A reforma deste nível é urgente’, diz o MEC
Em nota, o Ministério da Educação (MEC) diz que as propostas da MP são fruto de amplo debate acumulado no País nas últimas décadas. “Uma reforma deste nível de ensino é urgente. Uma parcela importante dos jovens fica pelo caminho, sem chance nenhuma de um bom futuro. Metade dos que ingressam no Ensino Médio não se forma. Um batalhão entre 15 e 17 anos está fora da escola. Trata-se de uma mudança fundamental, que deixará o currículo flexível e articulado com o Ensino Técnico-profissionalizante e a qualificação”, completa o MEC.
Entre as principais alterações, está a possibilidade de o aluno escolher a área em que vai querer atuar profissionalmente
DIRETORIA DE ENSINO
A Secretaria de Estado da Educação, por sua vez, diz que os alunos apenas passaram em frente à DRE, por caminho da Câmara, mas os manifestantes não se dirigiam à administração regional. “As faltas dos alunos foram devidamente registradas”, diz.
A DRE afirma que 25 professores da Apeoesp se manifestaram em frente à Diretoria de Ensino na manhã dessa quarta-feira (5) e que haverá desconto das horas não justificadas.