11 de julho de 2026
Cultura

A era de "Aquarius"; filme mais comentado dos últimos tempos estreia em Bauru


| Tempo de leitura: 2 min

Victor Jucá
Sonia Braga brilha em “Aquarius”: produção polêmica e premiada

Estreia nesta quinta-feira (6), em Bauru e em uma sala, “Aquarius” – filme de Kleber Mendonça Filho que virou notícia dentro e fora do Brasil. Primeiro porque, para muitos, trata-se de uma obra prima (cuja estreia oficial ocorreu em 1 de setembro) e que ainda poderá render até indicação a Sonia Braga como melhor atriz no Oscar 2017.

Segundo: foi também muito comentado por questões extra-sala de exibição. Como todos viram, a equipe aproveitou os holofotes globais e o sucesso no Festival de Cannes, em maio, para protestar contra o governo do então interino Michel Temer.

Depois disso, “Aquarius” perdeu a corrida para ser indicado a concorrer ao Oscar e o fato levantou nova polêmica: de que teria sido boicotado pela comissão que indica as produções. A campanha nos EUA por Sonia Braga, contudo, segue a pleno vapor.

“Aquarius” também chegou a ser classificado para 18 anos, outro fato interpretado como provocação do governo à produção.

O Ministério da Justiça recuou e a classificação indicativa ficou em 16.

Memória e nostalgia

Segundo detalha o crítico Francisco Russo, o confronto entre o velho e o novo surge na figura de Clara, personagem entregue a Sonia – e para Sonia brilhar. É ela a dona de apartamento cobiçado por imobiliária, que já adquiriu todos os demais imóveis do prédio. O objetivo é pôr tudo abaixo e construir um prédio novo, mas Clara se recusa a vendê-lo. É seu lar há décadas, foi onde criou seus filhos e, ainda hoje, vive. Daí surge o conflito, que resulta em ameaças veladas e provocações.

“Mais do que simplesmente criar opostos, Aquarius quer tratar do valor da memória através da compreensão do que é antigo, sem que seja necessário descartar o novo. Tal imagem está representada na própria protagonista”, destaca Russo. “Um filme marcante e necessário nesta época de relações degradadas”.

Música marcante

A trilha sonora é destaque à parte e traz à tona o sucesso de 1969 “Hoje”, de Taiguara – artista censurado nos anos 70 e cuja trajetória foi toda alinhada com a esquerda e os ideais de igualdade, liberdade e justiça. Uma escolha tida como bem apropriada.

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