O Conselheiro e os delegados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, Regional Bauru, vêm manifestar indignação e repúdio ao episódio de agressão contra um médico do Pronto-Socorro Infantil de Bauru, conforme publicado no Jornal da Cidade de Bauru, dia 29/09/2016, caderno Geral – página 05.
Qualquer que fosse a origem da discórdia, nenhuma forma de agressão é a maneira adequada de resolução de conflitos. Em se tratando de médicos, ou de qualquer outro profissional da saúde, particularmente atuando em unidades de atendimento de urgência e emergência, onde bem sabemos que nestes locais os profissionais atuam em situação de sobrecarga de demanda e extremo estresse, tal conduta é ainda mais deplorável.
Todos nós sabemos das graves deficiências que enfrentamos na assistência à saúde em nosso país, sobretudo nos serviços públicos e de atendimento de emergência. Os médicos e demais profissionais da saúde não podem ser responsabilizados pela precariedade desse setor, pois são funcionários e também vítimas dessa situação.
Além de deficiências estruturais e de financiamento, temos graves deficiências do número de profissionais de saúde, particularmente de médicos que se disponham a trabalhar nestes locais e as causas mais apontadas são a falta de estrutura, a falta de segurança e remuneração inadequada. É sabido que os critérios de atendimento de pacientes nos Prontos-Socorros e Prontos Atendimentos obedecem a ordem da necessidade e gravidade dos casos (classificação de riscos).
Agressão a médicos e a outros profissionais de saúde só agravará esta situação, afugentando ainda mais médicos e outros profissionais destes serviços. Conclamamos os gestores públicos de saúde e o Poder Judiciário a tomarem medidas urgentes que permitam que os profissionais da saúde atuem em condições adequadas de trabalho e de segurança, compatíveis com a grande demanda de pacientes nesses serviços.