| Samantha Ciuffa |
| Assembleia: 187 bancários rejeitaram proposta e 80 aprovaram, mas decisão nacional findou a greve |
Após 31 dias de mobilização, bancários de Bauru e região decidiram encerrar a greve da categoria. Segundo o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região/CSP Conlutas, todas as agências já voltam a funcionar normalmente a partir desta sexta-feira (7).
Em assembleia realizada na tarde dessa quinta-feira (6) na sede da entidade, 187 trabalhadores rejeitaram e 80 aprovaram a última proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). “Mas, apesar do resultado, ficou definido que nos submeteríamos à decisão do conjunto das demais bases sindicais”, explica Priscila Rodrigues, uma das diretoras do sindicato local.
Até as 22h dessa quinta-feira (6), bancários em 21 Estados e no Distrito Federal haviam decidido encerrar a greve, incluindo bases sindicais importantes, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Na maioria do País, contudo, os funcionários da Caixa Econômica Federal mantiveram a paralisação, rejeitando as propostas específicas do banco. “Em Bauru, porém, todas as agências irão funcionar amanhã (nesta sexta-7)”, destaca Priscila Rodrigues.
A mais longa greve da categoria desde 2004 foi encerrada a partir da mais recente proposta apresentada na última quarta-feira (5) pela Fenaban, em rodada de negociações com o Comando Nacional dos Bancários. A oferta, acatada nessa quinta-feira (6) pela maioria dos trabalhadores em todo o Brasil, prevê, para 2016, reajuste salarial de 8%, aumento de 15% no vale-alimentação, 10% no vale-refeição e no auxílio-creche, além de abono de R$ 3,5 mil.
PROPOSTA
A Convenção Coletiva, que terá duração de dois anos, também garante, para 2017, reajuste pela inflação acumulada e ainda 1% de aumento real nos salários e benefícios. Em Bauru, os bancários reivindicavam aumento de 28% nos vencimentos.
Segundo o sindicato, a proposta foi acatada após decisão tomada em âmbito nacional, mas rejeitada inicialmente pela categoria em Bauru. “[A proposta] não discute o fim das demissões nos bancos privados, não tem qualquer política para melhorar a segurança bancária e tão pouco políticas de prevenção ao adoecimento da categoria”, informou a entidade, em comunicado em seu site oficial. Priscila ressaltou que não restou outra alternativa que não aceitar a decisão da maioria.
“Mas a proposta é muito ruim, não repõe sequer a inflação e as discussões específicas dos bancos públicos não foram feitas”, reclama a diretora do sindicato local. Por meio de nota, a Fenaban informou que a oferta, para 2016, “garante aumento real para os rendimentos da grande maioria dos bancários e é apresentada como uma fórmula de transição, de um período de inflação alta para patamares bem mais baixos. Com a previsão de índices mais moderados e maior estabilidade, a partir de 2017, foi possível acrescentar essa nova proposta, antecipando a fórmula para o próximo ano, a ser oficializada na Convenção Coletiva”.