| Malavolta Jr. |
| Odair dos Santos já coleciona ouros em quatro panamericanos e várias medalhas de prata em cinco paraolimpíadas, inclusive na Rio 2016 |
Diagnosticado aos 10 anos com retinose pigmentar inversa, uma doença degenerativa leva à cegueira, Odair Ferreira dos Santos, 35 anos, lembra das portas que se fecharam em sua vida por conta da doença e agradece. Isso mesmo, agradece! "Se não fosse por ela, eu não teria conquistado tudo que tenho e sou hoje. Agradeço a Deus pela minha deficiência. Se eu tivesse que optar, escolheria nascer com ela de novo", afirma o primeiro brasileiro a subir ao pódio nos jogos do Rio e, hoje, um dos atletas de ponta da Seleção Brasileira de atletismo de pessoas com deficiência.
Em Bauru na última quarta-feira, o atleta palestrou para estudantes do Cips. E o tema foi justamente motivação e superação.
Ele contou que, por ironia do destino, o diagnóstico da doença ocorreu na mesma época em que descobriu a paixão pela corrida. "Fui bem colocado em uma gincana escolar. Depois disso, eu comecei a participar de corridas de rua, inspirado pelo meu tio Valdivino, que também corria. Quando o médico me disse o que eu tinha, fiquei muito triste, foi difícil, mas aprendi a aceitar e não desanimei", comenta.
Aos 13 anos, o menino de Osvaldo Cruz decidiu, então, mudar-se para Limeira, cidade onde aprendeu a ler em braile e iniciou no esporte adaptado. Lá, por meio de um instituto, acabou ingressando para a Seleção Brasileira e, em seu primeiro Pan-Americano, em Mar Del Plata, na Argentina, conquistou três ouros, que abriram as portas às Paraolimpíadas de Atenas, em 2004.
Medalhas em corridas de rua pelo Estado, boas colocações na São Silvestre. Aos 20 anos, Odair não possuía mais a visão frontal e periférica, mas as portas continuaram se abrindo no esporte.
CONQUISTAS
Em 2004, foram duas pratas e um bronze, em Atenas, nos 800, 1,5 mil e 5 mil metros. Em Pequim, em 2008, três bronzes. Nesta época ele competia na modalidade baixa visão. "Mas eu já estava completamente cego. Depois, acabei reclassificado para competir em Londres", explica.
Em 2012, em Londres, acabou lesionando um músculo da coxa, durante a prova dos 500 metros, mas conseguiu chegar competitivo na Rio 2016, onde conquistou prata nas provas de 1,5 mil e 5 mil metros. "A corrida deu sentido à minha vida, resgatou minha autoestima. Quando fiquei cego perdi o emprego onde trabalhava, porque não me achavam capaz", avalia o atleta paraolímpico. "Eu perdi o que não queria, mas conquistei mais do que imaginava. Acredito que os problemas acontecem para tornarem outras coisas possíveis".