Douglas Reis |
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Gazzetta e Raul fazem últimas consultas a arquivos, momentos antes do início do debate |
Provocações, farpas e justificativas deram o tom do primeiro debate do segundo turno entre Gazzetta (PSD) e Raul (PV), que disputam a preferência do eleitorado na corrida pela Prefeitura de Bauru.
Durante o confronto, promovido pela TV Unesp e pelo Jornal da Cidade no início da noite dessa quarta-feira (12), ambos deram ênfase em críticas à atuação de aliados de seus oponentes à frente de setores nevrálgicos da administração pública.
Coincidência ou não, depois da declaração de voto do prefeito Rodrigo Agostinho em seu favor, Gazzetta demonstrou maior empenho em defender o atual governo.
O candidato voltou a falar bem da Educação e até inflou o número de unidades habitacionais de interesse social construídas na cidade: falou em 10 mil, quando foram 6.760.
Valendo-se da aproximação do adversário com outros partidos que integravam a coligação do candidatura da administração no primeiro turno - como a maior parte do PMDB, o PDT e o SD, Raul afirmou haver políticos que não medem esforços para "continuar mamando na teta da vaca...".
As principais provocações do prefeitável pelo PV, contudo, giraram em torno da esposa do oponente, Lázara Gazzetta, que deixou o comando da Secretaria do Meio Ambiente (Semma) do governo Rodrigo Agostinho na última segunda-feira.
Raul questionou a situação de abandono de praças públicas, o descuido com mudas plantadas às margens do Rio Batalha, mas, principalmente, a inércia da atual gestão frente à regulamentação do uso e ocupação de solo em Áreas de Proteção Ambiental (APAs).
Ele lembrou que, em debate do primeiro turno, Gazzetta havia dito que a elaboração dos planos de manejo para essas regiões havia sido licitada.
O candidato do PV ponderou, contudo, que foi checar a informação e verificou sua improcedência, lembrando que Lázara ficou por 17 meses à frente do Meio Ambiente, sem resolver o impasse que já resultou em condenações para que a prefeitura indenize proprietários lesados pela impossibilidade de dar destinação a terras inseridas em áreas ambientais.
RESPOSTA E REAÇÕES
Gazzetta defendeu o que chamou de trabalho de excelência desempenhado pela secretária do Meio Ambiente, atribuindo o sucesso ao empenho não só da esposa, como também do corpo de servidores da pasta.
Sobre o processo de regulamentação de uso e ocupação de APAs, o prefeitável pelo PSD justificou que a utilização de recursos para a contratação dos planos dependia de aprovação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema).
O candidato afirmou também que Lázara foi responsável por ainda não ter contratado os estudos, já que teriam de ser refeitos caso elaborado antes de modificações no Plano Diretor Participativo, que explicita a proibição de parcelamento de solo nessas regiões para fins habitacionais.
Gazzetta frisou em seguida que a esposa foi indicada para assumir a Semma pelo PV, legenda de Raul, à qual o casal era filiado antes das movimentações eleitorais. Ele lembrou que o vereador participou da reunião em que a nomeação foi definida e, por diversas ocasiões, elogiou publicamente o desempenho da agora ex-secretária.
Diante da ofensiva de Raul, o prefeitável pelo PSD reagiu e associou o adversário a nomes da gestão pública, reiterando o que o secretário municipal de Saúde há quase oito anos, Fernando Monti, é coordenador de campanha do adversário, com o intuito de rebater o discurso de "mudança" do verde.
Gazzetta disse ainda que Monti não dialogou com o governo do Estado para resolver gargalos da Saúde em Bauru, no que diz respeito à demanda por leitos hospitalares, exames e especialidades médicas.
Alegando proximidade com a gestão Geraldo Alckmin, por contar com o PSDB em sua coligação, Raul também foi incisivamente questionado sobre "débitos" da administração tucana junto à cidade, como a instalação do videomonitoramento, a falta de investimentos em habitação e o fechamento da Oficina Cultural em Bauru.