A publicidade eleitoral indispensável para obtenção de votos exige dos candidatos empenho na valorização pessoal e cuidadosa seleção de propostas de campanha evitando lacunas e obscuridades que possam confundir ou desviar a intenção de votos dos eleitores. O eleitor, sempre, tem direito de conhecer previamente as posições dos candidatos. Durante a Segunda Guerra Winston Churchill, herói da Inglaterra atormentada pelas bombas voadoras da Alemanha, lamentava ter que ser absolutamente autentico no seu projeto para ocupar a chefia do governo inglês, pois o que tinha para oferecer ao povo era um longo e incerto período marcado por sangue, suor e lágrimas até que se criassem as condições necessárias para a vitória final. Desde então – talvez até muito antes – aos candidatos se concedem perdão tácito e antecipado no caso de escamotearem de suas respectivas campanhas temas delicados e perigosos que possam influir ou alterar a vontade inicial dos eleitores. Sem exageros, porém.
Nestas eleições desta endividada Bauru, tanto no primeiro turno como agora neste segundo turno saúde, educação, infra-estrutura urbanística, qualidade e eficiência dos serviços públicos têm sido temas recorrentes que se propõem superar com nossa reduzidíssima capacidade de investimento e com milagroso acesso a inesgotáveis emendas de parlamentares amigos, acrescidas de algumas verbas sonhadas para remessa a fundo perdido. Afinal ilusão é boa estratégia que ensina a não esmorecer, ocorra o que possa ocorrer, mesmo quando se passa ao largo dos pontos verdadeiramente fundamentais da campanha. Em algum momento da futura gestão aflorará inevitavelmente na mesa decisória a questão Cohab e sua sacola de dívidas de responsabilidade subsidiária do Município, tema intocado ou pouco enfrentado na campanha eleitoral que surpreenderá os munícipes e exigirá equacionamento de solução que afetará a gestão orçamentária em andamento e, ainda muitas outras futuras gestões.
Também em algum momento a política municipal do lixo, abrangendo sua separação, coleta e destinação com despesas de vulto não previstas nos orçamentos despertará atenção dos munícipes e estará a espera de equacionamento na mesa decisória, exigindo recursos expressivos advindos de alguma surpreendente e milagrosa fonte. Muito provavelmente, ainda, não superadas as notórias deficiências do DAE poderá chegar até a mesa decisória, para surpresa geral, uma possível proposta de sua absorção onerosa – claro que muito bem estudada - pela Sabesp, preservados direitos de seu diferenciado quadro de servidores e assegurado rigoroso controle de preços em favor dos consumidores. Esses temas delicados e perigosos exigiam, como exigem, em favor da transparência e mesmo que ao preço da perda de muitos votos claro posicionamento dos candidatos porque, afinal, são eles importantes e influentes na qualidade de vida da população, exigindo democraticamente e durante campanha equacionamentos discutidos, amadurecidos e consentidos pelos munícipes, intoleráveis delegações disfarçadas ou subreptícias. Será?
O autor é advogado, articulista do JC e escreve a cada catorze dias