10 de julho de 2026
Política

À CEI, Giasone nega benesses a devedores

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Na primeira oitiva da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instalada para investigar suposto favorecimento a devedores do DAE motivado por relações políticas, o ex-presidente do DAE Giasone Candia negou a prática, reiterando o conteúdo de sua carta de exoneração, do dia 12 de setembro.

Aos vereadores, nessa sexta-feira (14), ele afirmou que nunca ouviu qualquer pedido de agentes com mandato eletivo para evitar o corte do fornecimento de água a empresas ou pessoas com débitos em aberto. Disse ainda que se expressou mal em entrevista concedida no início de setembro, que resultou no início da investigação legislativa.

Candia garantiu que as ações políticas se limitaram a negociações mais brandas junto a condomínios de interesse social construídos pelo Minha Casa Minha Vida. Ele relatou ainda episódios em que teria refutado, com veemência, solicitações desta natureza por parte de contribuintes.

O ex-presidente afirmou que a autarquia carece de sistema de informática capaz de garantir plenamente o controle e o acompanhamento permanentes dos débitos em seu favor, pontuando que, quando assumiu o comando do departamento, foi informado de que os cálculos eram feitos manualmente.

“Contratamos uma empresa que providenciou avanços, mas ainda estamos bem distantes do ideal”, disse Giasone, sinalizando possível fragilidade nos levantamentos dos devedores do departamento.

Após a oitiva de Giasone, os vereadores da CEI decidiram convocar, para sexta-feira que vem, os diretores financeiro e jurídico do DAE, Waldir Gobbi e Rafaella Kadihara.

CAMINHOS

O novo presidente do DAE, Célio Bucceroni, enviou à Câmara Municipal a lista com os 100 maiores devedores da autarquia, atualizada e com indicações dos processos administrativos e judiciais de cobrança em andamento.

Presidente da CEI, Markinho ponderou que a maior parte dos débitos é relacionada a taxas de esgoto, questionadas por empresas que retiram água de seus próprios poços artesianos. Ele alegou que, independentemente de apontar irregularidades e eventuais culpados, o trabalho da comissão apontará caminhos para aprimorar o trabalho da autarquia.

“Vamos cobrar a questão da informatização dos dados. Outra ação, de natureza legal, pode estar na instalação de equipamentos que medem o volume de esgoto despejado pelas empresas que usam poços porque, de fato, nem toda água retirada do aquífero vai para a rede de esgoto. Essa é uma forma de o DAE ter mais elementos para cobrar de forma justa”, avaliou Markinho.