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| Aparecida Maria Garcia, que faz tratamento de quimio no Estadual, com a filha, Gisele Garcia, e Geovana Castilho |
Levar alegria, gerar sorrisos e propiciar alívio em meio ao estresse, ansiedade e sofrimento do tratamento de uma doença grave ou do processo de recuperação de um acidente. Com isso, trazer benefícios à saúde de quem vive momento de vulnerabilidade e encara a dura rotina para se tratar: são objetivos do projeto de extensão Atividade Lúdica e de Lazer no Hospital Estadual, da Universidade do Sagrado Coração (USC), realizado no Hospital Estadual de Bauru.
Com atividades lúdicas, o projeto, que é interdisciplinar, existe desde 2009 e atualmente está sob a orientação da coordenadora Nathalia Rodrigues Garcia Schinzari, docente da USC, exerce função tão importante quanto os medicamentos imprescindíveis, que é tornar a rotina dos pacientes mais leve, proporcionando humanização no tratamento e apresentando resultados excepcionais.
As atividades são desenvolvidas nos setores de pediatria, clínica cirúrgica, hemodiálise e oncologia adulto e infantil do Hospital Estadual e ocorrem em interação com as pessoas atendidas no momento do tratamento. Participam do projeto alunos de diversos cursos de graduação da USC.
PARA AMENIZAR
De acordo com Geovana Castilho, que cursa bacharelado em química e integra o projeto no setor de oncologia adulta do Hospital Estadual desde o início deste ano, a ideia é tornar o tempo que os pacientes usam para fazer o tratamento mais descontraído.
As atividades no projeto são voltadas para o entretenimento de pacientes e acompanhantes.
“O tratamento de quimioterapia pode gerar desânimo, ansiedade e fadiga em pacientes e acompanhantes”, lembra Geovana. “Isso por causa do processo demorado e gerador de efeitos colaterais como náuseas, vômitos e diarreia. Enquanto a pessoa está fazendo o tratamento, nós desenvolvemos as atividades, criando um momento de descontração a pacientes e acompanhantes, auxiliando-os no enfrentamento da situação vivenciada. Eles acabam nem percebendo que o tratamento já acabou naquele dia”, aponta.
MÍMICA, MÚSICA, ETC.
Inúmeras atividades são desenvolvidas, como mímica, música, bingo, caça-palavras, dinâmicas e atividades voltadas para a Páscoa e Dia das Mães, alterando a rotina dos tratamentos e impactando positivamente no astral dos pacientes.
“Houve uma interação positiva entre todos, proporcionando um ambiente motivador e uma melhora significativa dos pacientes durante o período em que o projeto está sendo desenvolvido”, declara Geovana.
A resposta e receptividade dos pacientes e acompanhantes também é muito positiva. “Ouvir alguns pacientes dizendo que pediram para o médico mudar sua agenda da quimioterapia para as quartas-feiras, que é o dia em que as atividades acontecem, realmente, é motivador. Muitos deles dizem que o tempo do tratamento passa mais rápido conosco”, destaca.
“Houve um caso em que um acompanhante disse que o paciente se transformava quando chegava ao hospital, porque em casa ficava parado, deitado, não queria se alimentar direito, mas durante as atividades se divertia, dava risadas e isso ajuda muito no tratamento”, conclui.
NA SEQUÊNCIA, AVANÇO
A psicóloga Franciani Bellorio Giglioti Rosa, responsável pelo setor de oncologia adulto, avalia positivamente as atividades.
“A melhora é percebida posteriormente. Porque conforme as atividades que acontecem fazem o paciente se descontrair, passar rápido o tempo, porque é tenso o tratamento. E nisso eles acabam interagindo com outros pacientes e acompanhantes, há essa interação. O clima fica mais leve, até para as equipes do hospital também, então a gente percebe uma diferença grande”, relata.
Química do bom humor
Situações de prazer e alegria desencadeiam processos corporais que auxiliam na resposta ao tratamento e no fortalecimento imunológico dos pacientes. Assim, as atividades lúdicas desenvolvidas pelo projeto Atividade Lúdica e de Lazer no Hospital Estadual contribuem para minimizar desconfortos e desgaste emocional e ajudam no processo de cura de enfermidades.
“Quando as atividades são feitas, o sorriso e as gargalhadas surgem e enquanto eles interagem, o corpo libera uma substância chamada serotonina”, explica Geovana Castilho. A serotonina auxilia na sensação de bem-estar, o que reflete durante os momentos de tratamento e pós-tratamento.
Segundo Geraldo José Ballone, psiquiatra e presidente da Sociedade Paulista de Psiquiatria Clínica, a serotonina é uma substância chamada de neurotransmissor e existe naturalmente em nosso cérebro.
Sua função é conduzir a transmissão de uma célula nervosa (neurônio) para outra. Quimicamente, a serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HT) é indolamina, produto da transformação do aminoácido L-Triptofano.
“Para entendemos, o L-triptofano é um nutriente encontrado em alimentos ricos em proteínas, como carne, peixe, peru e laticínios. Sua importância na psiquiatria deve-se ao fato de ser o precursor direto da serotonina. Atualmente, a substância está intimamente relacionada aos transtornos do humor, que agem produzindo um aumento da disponibilidade dessa substância no espaço entre um neurônio e outro”, detalha Geovana. Ela destaca que uma pessoa que tem problemas graves de saúde, como câncer, frequentemente sofre também com baixa autoestima e a tristeza. Assim, a possibilidade de uma depressão é maior.
“Se não está comprovado que a felicidade é condição de saúde, no mínimo podemos dizer que se analisa com frequência que a tristeza está relacionada a boa parte das enfermidades. Por isso, venho reforçar que a ideia do riso e o bom humor estão fortemente ligados ao reforço de um sistema imunológico forte, pois ajuda no aumento da serotonina no organismo e na melhora dos pacientes”, ressalta.